sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Todo carnaval tem seu fim

A alegria tem um tom laranja que eu desconheço e toda a sensibilidade que vem com ela vem arredia. Os olhos que me seguiam na escuridão hoje me encaram com uma veemência gritante. O cheiro de tabaco invadiu minhas narinas e não sai das minhas mãos; o gosto de vodca não sai da boca que, por sua vez, fala sem parar. Enquanto isso meus pensamentos voam soltos por uma cidade cheia de almas cansadas e, meu coração, cheio, dança dentro de algumas bocas numa quarta feira de cinzas vermelha.
Boca; beijos; marcas.
Arlequim, Pierrot e Colombina; todos, juntos, na mesma escada vivendo a mesma cena de uma folia já esquecida. Eu esqueci. Fiz um esforço danado pra esquecer e dois pra relembrar. Relembrar sempre dói, arde como álcool em ferida exposta. E eu que apenas observei a Colombina fumar e pegar o Garoto Surpreendente, pude entender o tal mistério do impossível. Do pierrot não lembro o nome, o sexo ou a face; do Arlequim me sinto distante e um tanto quanto nauseada pra poder entrar em detalhes.
Minha gêmea, que eu não conheço, acabou nos braços de um cara de apelido estranho; acabou, não, começou ou deu continuidade, não sei. E as coisas aconteceram sozinhas diante dos meus olhos. Eu vi, eu fiz e eu sou. Não me arrependo não me culpo e não me esqueço. Nunca! Só peço emoção. Muita emoção para mim e sorte para a Colombina e o Garoto Surpreendente. Sorte, muita sorte, porque amor eles têm de sobra.

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Monólogo

Os olhos me seguem; perseguem; assombram.
Me tiram do sério e me cegam com a intensidade desse brilho inquietante. Acompanham com precisão cada passo, toque, ou qualquer coisa que o valha. Seguem minhas mãos a passear por entre os fios de cabelo e, com a mesma atenção, observam as suplicas que faço em silêncio.
Eu sinto que eles me ouvem, ouvem e gritam minhas súplicas deixando, assim, minha privacidade ser invadida.
Eles olham, vêem, mas não enxergam; nunca enxergarão.
Jamais verão algo além de uma menina qualquer numa cama qualquer com um livro qualquer e palavras, arrancadas, no peito; no centro, perto do aparelho pulsante. Arranquei as palavras de uma boca antiga e as guardei por precaução.
Só e sem mais, com muito e um bocado sozinha.
Os olhos seguem meus movimentos, no escuro, enquanto fecho os olhos e finjo conversar com Deus.
Monólogo.
Ele não responde, nada, nunca; jamais responderá.
Peço paz, sossego, descanso; quero seguir sozinha sem ser vigiada por ninguém. Mas eles continuam ali, seguindo meus passos, naquele breu infernal. Num ato de coragem acendo a luz, e os olhos se vão, somem por entre a claridade. O brilho só se mostra no escuro, mas a sensação de vigília nunca acaba.
Quer dizer, nunca se acaba, pois vem acabando comigo há anos

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Sexta-feira, 13

E quando é a vez de passar a bola ela vem para mim; ela está comigo, presa, entalada na minha garganta. Impede as palavras de saírem e, por vezes, não deixa o ar entrar. Meu corpo pede, grita, reclama. Quer dizer tudo sem ter nada a dizer, precisa dizer, falar, e então escreve. As vozes ecoam em minha mente e o meu silencio grita de um jeito assustadoramente medonho; o medo surgiu aqui dentro e eu ainda não entendi qual parte de mim ele quer assustar. Estou assustada e com a cabeça em uma sexta qualquer, uma boca qualquer, um beijo qualquer. Muita gente, muita música, vodca e, aquele que há muito me acompanha; combinação arriscada demais pra uma noite em que tudo o que eu queria era estar em casa dormindo, não estava. Esperei por um ano, durou três minutos e vejo que o arrependimento irá me roubar alguns meses.
Talvez esse seja o sábado mais longo de nossas vidas; talvez a chuva lá fora seja a prova de que o céu chora por nós; talvez aquilo que deveria nos unir, separe nossas vidas, pra sempre.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Incêndio

Três cores no meu pulso.
Três cores nos meus olhos.
Três cores na lembrança e um coração cinza gritante que emudeceu no meu peito.
Cinza, cinza, cinzas; havia fogo ali. Fogo intenso e chamas altas, gritos e calor demais.
- Demais! – gritei.
Fui brigada a me calar e ver calar e te calar e derreter como se fosse plástico. Não sou! Sou carne, e vivo como se fosse ferro, com meus ferrões e minhas ferraduras contando com a sorte para não machucar ninguém. Conto e desconto e reconto e não vejo saída, escolha ou atalho. É cinza, é triste, há cinzas e não há mais fogo; foi embora , não suportou minhas facetas. E eu ainda acordo com vontade grande de comer meu corpo, grandes garfadas ou mordidas intensas, não importa, o que importa é o canibalismo e o descanso de um corpo cansado.
- É algo entre preto e branco...
- Cinza!
Quem me dera fosse vermelho, houvesse sangue e batimentos regulares; não há, foi embora como o fogo e agora está cinza como as cinzas daquilo que se queimou há três cores.
Uma cor no pulso.
Uma cor nos olhos.
Uma cor na lembrança; cinza.
Às vezes acho que eu não existo.

ótima sexta-feira 13 pra nós. (6)' haha

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Chico Buarque - Construção

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Eu gosto dela. sem mais

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Descobrimentos

Meme recebido pela Amanda (: do blog http://srta-miyavi.blogspot.com/ e pela Danielle (: do blog http://chicleterosa.blogspot.com/ (blogs bacanas, vale a pena dar uma olhadela. Dica!)

Trata-se de refletir e responder quais foram as dez melhores coisas que aconteceram durante o perpassar do ano de 2008.

- Cagadas e mancadas e 'tapas na cara' me mostraram que ser infiel não destrói tanto quanto ser desleal.

- Criei um blog que, pra minha grande surpresa, tem gente (boa. haha) que acompanha e descobri que escrever asneiras é a minha cara e que não é só minha mãe que me acha maluca.

- Entendi que é fundamental dividir pessoas e aceitar que ninguém é de ninguém. Se 'ter' alguém te deixa feliz, imagino o quão feliz ficará ao amar alguém; amor é liberdade.

- Descobri que não me importo com o seu nome, sua roupa, seu dinheiro, seu cabelo. Não me importa quem você é e sim o que tem a dizer.

- Creio que dois rapazes foram importantes (sentimentalmente) nesses, meus, 19 anos e eu fiz questão de sair da vida dos dois. Agora sinto que o terceiro ta querendo entrar, mas as portas estão fechadas e eu descobri que perdi as chaves.

- Meu coração é idiota (descobri isso na casa do Cristian)

- Tenho a capacidade de amar várias pessoas e não amar ninguém, ao mesmo tempo.

- Aquela onda de "diga com quem andas e direi quem és" rola de verdade por aqui; resolvi andar com o mundo inteiro e agora quero ver quem ousa me rotular; dizer que eu sou do mundo soa como um elogio e ainda preserva minha liberdade. Dica!

- Algumas pessoas passam a vida correndo atrás da tal 'felicidade' e quando, de fato, a encontram, não sabem usar. Felicidade é o hoje, o agora.

- Sou louca, problemática, impulsiva, gritante, desafiadora, revoltada, medrosa e ilusionista; posso ser o Ser Humano mais maluco do mundo, mas sou feliz (:


(não vou repassar, mas se alguém quiser responder pode ficar a vontade. rs)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Lunática

Cansei! Simples assim.
Às vezes a gente cansa e cansa de uma forma que parece eterna. Minha canseira parece eterna e estou começando a achar que nasci cansada. E não estou dizendo isso para usar como desculpa pra desistir de alguma coisa, não. Não mesmo. Desistir nunca, jamais! Mas cansada eu estou e, isso eu não posso negar. Quer saber, o que me cansa, mesmo, são as pessoas; não gosto de muitas pessoas, não gosto e não faço questão. Pessoas falam demais, brigam demais, gritam demais, vivem e morrem demais; esse vai e vem todo acaba comigo, me deixa tonta, me deixa cansada, tão cansada que às vezes eu pareço
uma chata reclamona que só faz reclamar de pessoas pra pessoas. Não odeio ninguém, não, só não gosto; e nem são todos, gosto dos que eu gosto, poucos, e só. Mas não odeio e nem quero matar um batalhão de gente, acho que se as pessoas não se matassem tanto eu até me simpatizaria mais com elas. É esse auê todo que me deixa confusa e confusão me deixa cansada e eu acabo falando demais e cansando todo mundo também. Pô, não pensem mal de mim, pessoas, e nem me odeiem achando que assim corresponderão meu sentimento; não é assim, não sempre. Às vezes eu gosto de pessoas, mas hoje eu estou cansada demais. Amanhã eu posso amar todo mundo e, juro, não me importo quando um amorzinho nasce aqui dentro; eu o cultivo e rego até, mas ele morre antes de florescer, sempre. Acho que estou cansada de não dar frutos, cansada de ser oca, cansada de mim. As pessoas me cansam e não posso evitar de ser pessoa também. Preciso pensar um pouco sobre isso, ou não; talvez amanhã, hoje eu só preciso fugir. Fugir dos meus pensamentos e tirar férias de mim com urgência, preciso agora, antes que o sentido de tudo se perca de vez.


"Não dê bola se eu te trancar num quarto uma semana"

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Refrão de bolero


Eu que falei 'Nem pensar' agora me arrependo roendo as unhas, frágeis testemunhas de um crime sem perdão. Mas eu falei sem pensar, coração na mão como o refrão de bolero, eu fui sincero como não se pode ser. E um erro assim, tão vulgar, nos persegue a noite inteira e quando acaba a bebedeira ele consegue nos achar, num bar, com um vinho barato, um cigarro no cinzeiro e uma cara embriagada no espelho do banheiro.
Teus lábios são labirintos que atraem os meus instintos mais sacanas e o teu olhar, sempre distante, sempre me engana. Eu entro sempre na tua dança de cigana.
Teus lábios são labirintos que atraem os meus amigos mais sacanas e o teu olhar sempre me engana. É o fim do mundo todo dia da semana.




Humberto Gessinger