Eu sempre me questionei: e quando o sangue acabar?
Ainda terá a minha vontade para suprir a sua. A minha vontade vai cheirar a sangue convidando as unhas do circulo a se embrenharem em mim.
Sempre disse e sempre falhei.
Que porra de sempre é esse? Não há, eu sei você sabe, mas a esperança salta alegremente em todos os corpos. Uma porra de tesão sempre nasce sem propósito e na hora daquela boa trepada nada acontece. Broxante!
Garganta seca e a boca cheia d'água.
O corpo feito furacão se apaga sem ao menos queimar corpos; sem erupção.
Ninguém goza; todos riem.
Nesses momentos de devaneios lúcidos me vem à mente uma cafonice qualquer:
"Enquanto houver burguesia, não vai haver poesia”.
Nunca me importei com isso. A burguesia fede? Deixe que feda. Que se foda! Não me importo com a porra de uma burguesia mesquinha de merda. É claro que, agora, vai aparecer alguém para dizer o quão egoísta eu sou. Egoísmo é querer mudar o outro porque me incomoda. É querer que a burguesia deixe de ser burguesia para que possa haver versos e temáticas e estrofes de quatro por quatro.
Que porra! A poesia não está no outro. É in. Eu acredito que o caminho é in e não off.
Entende?
Sente?
Ta dentro! Dentro da cabeça, das vísceras, pulsando na veia. Pulsando na vida. Em qualquer lugar. Em todo lugar e a toda hora. Enquanto as horas passam e nos levam os dias, meses, anos, coração...
Dois dedos d'água e três cubos de gelo.
Eu não quero estar lúcida.
Eu não quero estar e nem sei se aceito me ser.
Absinto-me de mim tantas vezes ao ano que no próximo quase não sei quem sou.
Mas as vísceras continuam viscerais, o sangue é fresco e minha vontade ainda supre a sua. Porra! Eu sei que eu não presto. Eu sei que, pior que isso, eu não quero prestar.
Mas a boca ta cheia d'água e a garganta ta seca, entende?
É in, não off; é infernal!
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