sábado, 5 de março de 2016

Sobre a saudade...

Os fantasmas das dores assombram o quarto.
A solidão arrepia até os ossos.
Não sei quem sou.
Não sei quem és.
Quando lhe digo o que deve ser feito na verdade digo a mim.
Quase num sussurro.
Quase uma oração.
O espelho ja não me reconhece mais.
Minha face se perdeu em alguma esquina.
Entre tantos vícios.
Entre tanto estrago.
Olho as horas que não passam.
Vejo a vida, já tão consumida, passar pela janela.
Ninguém me vê.
Ninguém se vê.
O mundo inteiro é um buraco.
E a vida vai seguindo seu rumo assim, tímida e vagarosa, como quem pede licença pra ser.
E é.
E não é.
Mas talvez, só talvez, será.
Que garantia nós temos?
Eu não sei.
Eu não sei quem és.
Mas, claramente, agora você sabe quem eu sou.

sábado, 24 de agosto de 2013

5h51

Ah, mas relaxa. Relaxa que tá tudo em paz. Respira. Respira. Respira. Assim mesmo. Três vezes. O coração ainda bate. Então relaxa. Relaxa que eu vou atrasando os relógios enquanto você não passa. Há tempo. Ainda. E sempre. Relaxa. Respira. Vem.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

3h20

Pensar demais fode tudo.
Quando se pensa demais, se faz pouco, quase nada.
Sentir é nada, inevitavelmente.
Quando se pensa demais, você ta fodido.
Devidamente fodido, cara.

Os pensamentos voam soltos pelos ares.
A boca cala.
O coração, filho da puta, não cessa.
Não quer cessar.
São noites inteiras de cabeça cheia e coração vazio. As noites são todas iguais.
Um dia eu quis ter o coração cheio, juro.
Eu já tive um coração cheio.
Desbotou.
O tempo tem a santa mania de desbotar as cores mais bonitas, as coisas mais bonitas.
Cheguei a acreditar que o tempo ajeitaria tudo, sabe? Que o tempo colocaria tudo no seu devido lugar.
Mas o tempo...
Ah, o tempo não ilumina, o tempo só apaga.
Apagou todas as luzes, devorou todas as cores e foi embora, tão rápido quanto veio.
E eu fico aqui, pensando que tudo já não presta, que a podridão do mundo amassou todas as minhas flores.
Sim, eu sei que faço parte da podridão do mundo, não precisa me lembrar.
Eu penso nisso o tempo todo.
Penso até tudo virar loucura na minha cabeça.

Quando se pensa demais você ta fodido, cara.
Fodido...
Mal pago...
Desbotado...
Preto e branco.

3h59

Eu queria escrever alguma coisa, qualquer uma, que explicasse essa loucura, esse afeto.


Qualquer explicação banal me serviria, mas não há.


Qualquer indício de uma suposta explicação, juro, me bastaria.


Qualquer uma.


Uma explicação velha, esquecida, suja.


Não há

!
Não há explicação, não há entendimento.


Queria poder aceitar sem entender, mas a razão não me deixa; a razão só me impede.


Se eu soubesse nomear.


Se, ao menos, eu soubesse...


está escuro lá fora, já anoiteceu há horas, e eu continuo aqui, de olhos bem abertos, revirando as gavetas emperradas procurando alguma coisa que nem sei se existe.


Talvez eu só precise de um tempo.


Talvez eu só precise esquecer...

(a porra do blog formatou o texto do jeito que quis, me impedindo de arrumá-lo)

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

O mundo é bão!

Eu me pareço com um desses romancistas baratos que acreditam que o mundo é tão pequeno que é possível carregá-lo no bolso.
Eu jogo; eu brinco; eu não levo nada a sério.
Me incomodo quando me levam a sério.
Mas, um dia, talvez, quem sabe?
Eu to sentada num banco vendo a vida passar. Às vezes a calmaria me cansa, então faço alarde. Quando o barulho me irrita, peço silêncio, me fecho e recupero a paz. Uma paz um tanto ilusória, confesso, mesmo assim não deixa de ser paz.
Empatia tem de sobra, simpatia tá em falta.
O mundo continua no meu bolso e eu quase nunca o tiro dali. Falta de interesse? Acredito que não. Proteção talvez. Não sei. Quem sabe? Eu sequer tento me proteger e faço estrago pra caralho.
Sigo! Pensando: viver é isso. Mesmo sabendo que eu corto um dobrado pra descomplicar o que não era complicado e eu compliquei.
É loucura, eu sei. Eu sou. Você é.
Eu carrego um hospício enorme no bolso.
Mas eu tenho uma carta na manga, um segredo guardado e então tá tudo bem.
To sentada num banquinho - sem violão - e a calmaria intensa tá me pedindo um alarde. Nego, obviamente. Alegando que já não tenho idade pra isso e que prometi: de agora em diante sem mais estragos.
Eu entendo - empatia ta rolando; não sorrio - a simpatia é sempre escassa.
Mas eu sei que ninguém aqui tá me levando a sério.
Não me levem, por favor!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Mimimi

A incerteza traz inspiração?
E a certeza?
Há muito vivo o eterno clichê "entre dar a mão e acorrentar uma alma". A alma é sempre minha...
Eu tentei te avisar. Eu te contei sobre os monstros dentro do armário e o amor embaixo da cama. Mas, pra mim, o que é que sobrou?
A vida tem me pregado peças. Muitas pedras no caminho. Muitos desamores.
O que fazer?
O que dizer quando tudo já foi dito?
A verdade bate à porta, dizendo que não há nada pra mudar, nada pra discutir. Ela é a dona do jogo e dessa vez não há desculpas.
A vida me mata. A vida me cospe o dia vazio em todos os nasceres do sol.
E o meu querer?
E o meu amor?
O buraco do espelho diz mil coisas e me faz acreditar no que não vejo. Queria ser simples. Queria, ao menos, não dificultar as coisas. Mas suas cores dançam ao meu redor e me remetem para o lugar mais longe que vejo.
Você está tão longe e tão perto.
Tão longe e tão dentro.

O sorriso está gravado na memória, como algo bom que poderia ter sido e não foi. A cor dos seus olhos me prendem, me faz entender que o brilho não é meu. Talvez se todos nós estivéssemos rodando com a roda - aquela roda - você pudesse ser o rapaz que segura minha mão dessa vez. Se minha garganta não estivesse cansada e na renúncia eu não me encontrasse no quarto vazio, eu até gritaria seu nome. E seríamos felizes pelo breve momento do incerto.
Mas a vida - sempre a vida - precisa de certezas e, às vezes, de bocas coladas e segredos no íntimo do ouvido. A vida tem me pregado peças. Juro! São tantos corpos e tantas almas que eu tenho me perdido no caminho de volta pra casa. Tenho me perdido de você. Em você.

Na ânsia de te salvar tenho me traído inúmeras vezes. Na ânsia de consertar os estragos tenho desfeito e refeito todas as cartas do jogo.
A roda ainda está lá, girando, linda, no lugar mais longe que vejo. No lugar onde sem querer encontro e reencontro os olhos, o sorriso, a loucura...
No lugar mais longe que vejo te zelo ao dormir. E de uma vez por todas percebo, mais distante AINDA estou eu.

terça-feira, 2 de julho de 2013

03 de Julho

Queria te dizer tantas coisas.Contar os sonhos, a ânsia, o medo. Te lembrar dos momentos doces, das palavras cortadas pelas línguas, do brilho no olhar -  que há muito não vejo. Queria rir com seu riso e lhe fazer sorrir teu choro.
Não haverá choro.
Só nós.

O gosto do beijo consome minha boca, me empurrando para lugares onde eu deveria ir e não fui. Coração acelera no ritmo dos teus passos. Coração tão vagabundo que já não sabe que rumo tomar.
Eu não sei. Você sabe?

Se eu contasse todos os nossos segredos, as juras, as súplicas cuspidas no ouvido às quatro horas da manhã. Se eu contasse e recontasse nossos erros e acertos, ajudaria?

Há muito venho pensando em te dizer minhas mentiras mais sinceras. Há muito sinto uma necessidade em te ligar só para ouvir que está tudo bem ou que tudo vai ficar bem ou que se nada der certo a gente muda o roteiro.
Pura e simplesmente.
So nós.

Queria tantas coisas. Tantas, que a vontade do beijo já se perdeu nas entrelinhas. Eu só quero a paz do sorriso e a beleza do que há entre nós. E mesmo que não haja nada, se tudo for em vão e a vontade se perder para dar lugar ao novo gosto, à nova língua. Mesmo que tudo se perca. Sempre me encontrarei no seu abraço.

Você me faz lembrar o caminho de volta pra casa.
Me traz tranquilidade em meio ao caos.
So você.
So nós.

Queria te contar e viver tanta coisa. Tanta vida. Tanto gosto.

Tanto clichê.

Queria tudo, queria o mundo inteiro. Mas, no momento, desejo apenas que seja doce.
Que seja doce.
Que seja doce.
Será.
É!

sexta-feira, 28 de junho de 2013

(...)

Ela sente saudade, todas as noites. E até morre um pouco tentando esquecer o que nunca foi seu de fato. Ela briga, ela grita, ela faz de tudo pra se manter sã. Ela se esconde, escapa, corre pro lado oposto. Ela perde o jeito, desconhece o gosto.
Ela não sabe amar.

Ele a provoca, todas as noites. Não quer cuidado, não quer cautela. Ele quer agora, pra ontem. Já esperou tempo demais. Ele quer sorrisos e bocas e beijos. Ele quer o ato, sem delongas, sem demora.
Ele só sabe amar.

E todas as noites ela sente saudades do que nunca teve e morre um pouco tentando esquecer.
Ele cheira à saudade.
Ela sabe, ele sabe.
Mas ninguém conta pra ninguém.
Há um jogo estranho entre eles.
Ninguém ganha, ninguém perde.
Ninguém vive nada ali.
Mas eles cheiram a amor.
Eu sei.
Se conhecem há anos.
Se prometem há meses.
Nunca cumprem!
Ela desiste, ele insiste.
Ela briga e ele ri.
Quase um casal, embora não saibam, embora não vejam.
Cá entre nos, eles cheiram à loucura.
Eles beiram à loucura.
Todos os dias.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Resquícios

E então acordamos e descobrimos que tudo estava fora do lugar. A cama já era outra; os nomes eram outros; outros rostos; outra história, talvez - enfim.
A primeira coisa que me veio à cabeça: como chegamos aqui?
Eu não soube explicar.
Ela não soube explicar.
Ninguém soube e, então, seguimos em frente.

Já não ouvia o som da torneira pingando, não sentia o cheiro de café pela manhã e não ouvia o riso - e, honestamente, não ouvir o riso foi o que mais me machucou.

Outra vez fomos obrigadas a seguir; dessa vez sozinhas (ou quase).
Um abraço no lugar do beijo e um sorriso ameralado de quem sabia o que estava fazendo, mas não sabia o que estava por vir.
Normal.
Natural.

Mas preciso dizer que, às vezes, eu tenho a sensação de que a minha melhor parte ficou lá atrás, entre o riso, a torneira e o café. E é uma parte (quase minha) que jamais recuperarei.
Às vezes penso que o tempo resolverá os estragos e colocará tudo no seu devido lugar, mesmo sabendo que o tempo não tem o poder de resolver coisa alguma.

E há dias, como o de hoje, em que eu apenas não sei o que estou fazendo e me comporto como uma criança assustada e sinto saudade, muita saudade.
Uma saudade imensa, doída, sabe?
Uma saudade que nada tem a ver com os pingos ou com a xícara de café pela manhã, mas que, inevitavelmente, tem a ver com o riso.

Eu não sinto saudades dela.
Eu sinto saudades de mim.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

3h53

Gostaria de pentear meus pensamentos, assim como os cabelos, pela manhã e colocá-los no lugar e seguir a vida pintando aquele sorriso rotineiro no rosto, e olhar no espelho, dar uma piscadela, e dizer: tudo bem, vai ficar tudo bem.
Mas numa dessas manhãs ele disse "É triste. O amor foi embora" e eu fiquei pensando...
Repensando...
E talvez, só talvez, não seja tão triste assim. Talvez, só talvez, o amor tenha sido vítima e não vilão. E que ,talvez, não haja vilões - mas só talvez.
E talvez muitas coisas, várias, milhares delas. São tantas, tantas, que sei que vocês podem imaginar o quão difícil tem sido pentear os pensamentos pela manhã.

Por horas fico pensando no amor que se foi e não volta, até me obrigar a deixar toda essa confusão de lado.
Eu gostaria que fosse fácil, que fosse simples e bonito como nas histórias infantis. Eu gostaria de ter o poder de escolher, de decidir quem fica e quem vai, como se eu fosse dona de tudo e mandasse nessa loucura toda. Mas quando olho pro lado vejo o amor, sorrindo ironicamente, me pedindo pra deixá-lo em paz. E eu deixo.
Vou deixando...
Perdendo alguns pedaços pelo caminho, é claro.
E quase no fim, quase perdida por completo, percebo:
Ele tem razão.
É triste!

Preciso parar de escrever sobre o amor.

Eu queria poder mentir

O caminho me parece o mesmo e o céu continua igual, mas as palavras já não voam, soltas, como antes. Acredito que pela facilidade de calar, calei.
Queria poder dizer que o meu coração permanece puro, meu sorriso sincero e a cabeça no lugar. Queria poder mentir.
A vida tem se mostrado estranha, alheia, piegas. De um jeito que, anos atrás, me faria escrever e reescrever sobre fatos, relatos e amor. Mas, esse - o amor - me deu um tapinha nas costas e se foi; assim, simples, numa tarde morna sem sobressaltos ou avisos.
Eu o chamei de volta, gritei, fiz graça, forcei um sorriso como quem diz "ei, aqui pode ser legal também, eu posso ser", mas, adivinhem?! ele não acreditou. Não o culpo. Eu, honestamente, também não acreditaria naquele sorriso.
E foi assim, senhores, que eu cheguei aqui; com os mesmos tênis gastos, as mesmas músicas e o meu coração no bolso.
Há dias em que tento entender certas coisas, há outros em que só quero esquecer. Esquecer todo esse sentimentalismo barato que nos faz ver tanta beleza no caos. Eu até  gosto do caos. Gosto do gasto. Daquilo que um dia foi lindo e hoje é apenas a sombra de uma beleza morta.
Eu gosto do amor, senhores. Eu gosto do amor, vocês podem entender?
Eu ainda tenho esperança que ele volte, um dia, em outro sorriso e em um novo olhar e que, enfim, me diga "ei, garota, aqui é legal e você também pode ser"
E então serei. E seremos juntos. E não haverá meios sorrisos.
Não haverá corações em bolsos.
Não haverá.
Não verás.
Não verei.
Todos cegos, mais uma vez, diante toda essa beleza que está fadada ao fracasso.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012