domingo, 19 de abril de 2009

O Funeral

Ao adentrar aquela igreja e vê-la deitada, estática, em meio a tantas flores, o meu coração veio à boca; senti, por horas, o gosto daquele órgão pulsante tocando minha língua. As lagrimas surgiram involuntariamente e, eu, me encontrei parado ao lado daquele caixão, beijando, desesperadamente, aquela boca já sem vida, fria como nunca fora e roxa como sua cor predileta. As horas passaram e eu não pude sair dali um momento sequer; estava grudado ao chão.
A igreja estava tomada por pessoas e pessoas e mais um bocado delas, enquanto eu me sentia sozinho com a lembrança de dias, ensolarados, em que aquela mão estava quente, como o sol, e que a mesma boca que agora beijo, com avidez, me dizia: - será para sempre. Agora tudo se resume em um corpo numa caixa de madeira; nunca mais verei aqueles olhos verdes e, tampouco, ouvirei sua voz fina reclamar da minha barba, por fazer, que roçava, por pirraça, sua pele branca. Os dias em que dormimos e acordamos juntos se findaram; e não posso me enganar acreditando que ela voltará amanhã ou semana que vem ou, quem sabe, no próximo mês.
Ela não vai voltar; nunca.
Não voltará para ver nosso jardim florescer na primavera; para cuidar da Zan que teve filhotes na semana passada; para dizer que me ama e que tudo ficará bem.
Não.
Agora algumas pessoas me puxam e outras tapam aquele rosto, lindo, que eu só verei em fotos.
Choro.
Me desespero, e tento impedi-los, em vão.
– Vamos ao enterro – alguém diz.
E eu começo a prestar atenção nas vozes que me cercam.
– Ela era tão jovem!
– Que pena, tinha uma vida inteira pela frente...
– Como aconteceu essa tragédia?
Tenho vontade de gritar para que todos se calem e respeitem o silêncio da minha dor. Maurício coloca as mãos em meu ombro e eu sinto que a pior hora está por vir; caminhamos até o cemitério e, lá, em meio aos prantos, deixamos o corpo que me amou por todos esses anos.
Não tenho forças para dizer nada, não tenho nada; não tenho a mim.
Volto para casa como um morto e vejo o nosso retrato envolto por aquela moldura de que ela gostava; eu gostava dela, a amava; tanto. Choro pelos filhos que não tivemos, pela segunda Lua-de-mel, em Veneza, que deixamos para o próximo mês; choro por todas as pessoas que não tiveram o prazer de conhecê-la e, por mim, por tê-la perdido sem ao menos poder me despedir.
Num puro ato de desespero pego as chaves do carro e paro em frente aquele museu de cadáveres, entro no cemitério e deito em cima de sua sepultura; como se assim eu pudesse sentir seu corpo pela ultima vez. As lagrimas fogem dos olhos e as palavras, antes sussurradas, chegam aos meus ouvidos rapidamente e em alto e bom tom; digo tudo o que eu sempre quis dizer e não disse, abro meu coração derramando, ali, todo o meu amor; sinto um calor enorme me invadir, sinto a presença indiscutível de Luíza e sei que se haviam outras almas naquele lugar elas estavam quentes e emocionadas como eu.
Me despedi.
Finalmente me despedi como deveria ter sido e saí de lá com a certeza de que ela me responderia de alguma forma.
Respondeu.
No dia seguinte, mexendo nos pertences daquela que fora minha amada, e amante, por longos, e felizes, anos, encontro um livro antigo e empoeirado; ao folheá-lo me deparo com linhas sublinhadas que diziam claramente: “o verdadeiro amor não precisa ser dito, é necessário senti-lo e só”.
Ao lado a letra engraçada de Luíza ousou um comentário singelo: “Eu sei”.
E desde então eu soube;
E desde então “Sabemos”

12 comentários:

Amanda disse...

Cara; Eu já disse que sou sua fã?
Ficou DIVINO!!!
Eu estou quase chorando aqui. Você escreve MUITO bem *-*


*colocando o crachá de fã sobre o peito*

Ricardo Esteves disse...

Nossa.. nao tenho nada pra dizer o.0
me senti la..
e sobre o cabelo .. é uma parte da vida!

Lela disse...

o triste é tão bonito visto de fora...

Nayara .NY disse...

A realidade segue por duras penas... Por tristes e indecifráveis lamentos...
Horas de dor, de angústia, atravessados na garganta... Sinto-a como se fosse minha, sinto-a como a dor que espero...

Marcos Satoru Kawanami disse...

ultrarromântico.
já hei penssado assim que "o amor é mudo", mas hoje, para fazer outrem feliz, tenho dito "eu te amo", ê clichê que não morre tão cedo.

Maíra disse...

"Até que a morte os separe". Quisera que todas as uniões fossem assim...

Abraços!

Laur a disse...

quisera eu que todas as pessoas que se dizem amar fosse de tal forma como esse pobre sofredor que com ele, sofreu.

Rhaissa disse...

Não poder ter esperanças de que a pessoa vai votlar dve ser o pior sentimento.
:/
Estou adorando as histórias que você tem contado no blog. São inovadoras pro blog, e eu estou adorando mesmo.
Beijos

Rhaissa disse...

Falando do que você comentou no ''caspide''
HIOAHOSHIOAHIOS
Nossa, sério mesmo, adoro as músicas daqui *.*
Tipo antes eu não gostava de ler com música, mas quando entrei aqui, começei a ler um texto (logo que você colocou música no blog) e daqui a pouco começa 'Nantes' foi como se a música fizesse parte do texto.
AHIOSHOIAHOISOIAHIIHS
Nunca ouvi "Kings of Leon" vou procurar aqui.
Nossa verdade acompanho sue blog a tanto tempo, e te juro, é O UNICO que eu acompanho sem cansar O_O
(parei de comentar aquela época pelos motivos já ditos anteriormente)
Gosto de ler e comentar algo sabe, pois como também tenho meu blog, sei que é ruin quando não há comentários, e mesmo o seu tendo MUITOS, gosto de deixar mais um pois sempre é bom.
:)

Beeeijos :*
E booa semana ;)

Roberta Albano disse...

estou me tornando cada vez mais fã do que você escreve
e esotu acompanhando sua progressão!

você montou uma história, ou retratou uma, com muita delicadeza, e usou detalhes para fugir do clichê muito eficazes.

parabens!

Andréia disse...

parabéns ao cubo. me emocionou tanto quanto o video da Susan Boyle

Ricardo Esteves disse...

kkkkkkkkkkkkk
é o//
seu blog é bom, se eu ajudar a divulgar to ajudando vc a desempenhar um trabalho massa
x)
mostrei pra alguns amigos