terça-feira, 27 de outubro de 2009

Meu lixo

Essa minha insistência em ver uma porra de poesia — mesmo que porca — por trás de cada ato, ou passo dado, me cansa. Não há beleza no mundo todo, eu sei. Existem os cantos empoeirados, os ratos de porões — que de vez em quando saem à procura de companhia; há também os livros rasgados, cuspidos e escarrados, que trazem em si a feiúra de furos feitos por cupins famintos; há também, e obviamente, outros insetos e outras vertigens.
E há os homens; e mais que isso: há os homens que amam.
Quando menos se espera a beleza se desfaz. Tudo feio. Triste. Medonho. Sombrio.
Não há mais nada. Até a poesia — mesmo a porca — foi embora te deixando para trás. Você, sem perceber, começa a contar os dias para que os ratos e baratas procurem sua companhia; conta dia após dia, todos, até o fim brilhar feliz na sua porta.
Um, dois, três, quatro... Olha para frente e o encara.
Encara a boca que te beija, os cuspes, e vômitos, que você depositou ali.
— Me olha, porra!
Encara o homem que te ama. O encara e vai embora. Some no mundo. Desaparece. Percorre milhas, e milhas, atrás do amor – só para matá-lo. Corre. Anda.
— Ainda há tempo!
Mata. Decepa. Mutila o amor que te consome, e te domina, quando os dias são tão claros. Acaba com ele na rua. Com sol. No meio da praça. Rodeada de pessoas e pessoas e pessoas.
— Que isso sirva de lição!
Não vai ser preso, nem premiado, por tal feito; vai ter feito e só. Sem vaias ou aplausos.
Nada.
O Amor morrendo, drasticamente, diante dos seus olhos enquanto recita aquela poesia mal escrita sobre a insistência em ver poesias inexistentes.
Não existimos, amor;
nem você, nem eu.

8 comentários:

Amanda disse...

amor não existe mesmo.
é vai ser sempre existente. o.o'
ele existe dentro da gente, mas por sempre nos ferir, nos apegamos a uma ilusória tentativa de fazer com que ele suma ou melhor, com que nunca tenha existido.
tolice, eu sei, você sabe, todos sabemos.
mas o ser humano é tolo, até porque ele mesmo que vai atrás de algo que depois ele vai lutar pra dizer que não existe. pura tolice.

NiNah disse...

Caracoles...Que lindo!
Adorei. Sério mesmo.
Bjo

Danielle Cristina disse...

Logo não existirá dor !

Diego Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Diego Santos disse...

Gostei dos seus textos...

Eu, Thiago Assis disse...

enquanto existirem pessoas que amam, a esperança e a poesia ainda têm vida. Sejam elas agradáveis ou não.

mas a partir que deixam de existir, só resta a procura.

gosto dessa tua escrita "suja".
:)


www.euthiagoassis.blogspot.com

Ahh...Line. disse...

Foda!

dine disse...

adorei adorei
talvez amor n , mas bons sentimentos sim...