domingo, 22 de fevereiro de 2009
Monólogo
Me tiram do sério e me cegam com a intensidade desse brilho inquietante. Acompanham com precisão cada passo, toque, ou qualquer coisa que o valha. Seguem minhas mãos a passear por entre os fios de cabelo e, com a mesma atenção, observam as suplicas que faço em silêncio.
Eu sinto que eles me ouvem, ouvem e gritam minhas súplicas deixando, assim, minha privacidade ser invadida.
Eles olham, vêem, mas não enxergam; nunca enxergarão.
Jamais verão algo além de uma menina qualquer numa cama qualquer com um livro qualquer e palavras, arrancadas, no peito; no centro, perto do aparelho pulsante. Arranquei as palavras de uma boca antiga e as guardei por precaução.
Só e sem mais, com muito e um bocado sozinha.
Os olhos seguem meus movimentos, no escuro, enquanto fecho os olhos e finjo conversar com Deus.
Monólogo.
Ele não responde, nada, nunca; jamais responderá.
Peço paz, sossego, descanso; quero seguir sozinha sem ser vigiada por ninguém. Mas eles continuam ali, seguindo meus passos, naquele breu infernal. Num ato de coragem acendo a luz, e os olhos se vão, somem por entre a claridade. O brilho só se mostra no escuro, mas a sensação de vigília nunca acaba.
Quer dizer, nunca se acaba, pois vem acabando comigo há anos
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Sexta-feira, 13
Talvez esse seja o sábado mais longo de nossas vidas; talvez a chuva lá fora seja a prova de que o céu chora por nós; talvez aquilo que deveria nos unir, separe nossas vidas, pra sempre.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Incêndio
Três cores no meu pulso.
Três cores nos meus olhos.
Três cores na lembrança e um coração cinza gritante que emudeceu no meu peito.
Cinza, cinza, cinzas; havia fogo ali. Fogo intenso e chamas altas, gritos e calor demais.
- Demais! – gritei.
Fui brigada a me calar e ver calar e te calar e derreter como se fosse plástico. Não sou! Sou carne, e vivo como se fosse ferro, com meus ferrões e minhas ferraduras contando com a sorte para não machucar ninguém. Conto e desconto e reconto e não vejo saída, escolha ou atalho. É cinza, é triste, há cinzas e não há mais fogo; foi embora , não suportou minhas facetas. E eu ainda acordo com vontade grande de comer meu corpo, grandes garfadas ou mordidas intensas, não importa, o que importa é o canibalismo e o descanso de um corpo cansado.
- É algo entre preto e branco...
- Cinza!
Quem me dera fosse vermelho, houvesse sangue e batimentos regulares; não há, foi embora como o fogo e agora está cinza como as cinzas daquilo que se queimou há três cores.
Uma cor no pulso.
Uma cor nos olhos.
Uma cor na lembrança; cinza.
Às vezes acho que eu não existo.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Descobrimentos
Trata-se de refletir e responder quais foram as dez melhores coisas que aconteceram durante o perpassar do ano de 2008.
- Cagadas e mancadas e 'tapas na cara' me mostraram que ser infiel não destrói tanto quanto ser desleal.
- Criei um blog que, pra minha grande surpresa, tem gente (boa. haha) que acompanha e descobri que escrever asneiras é a minha cara e que não é só minha mãe que me acha maluca.
- Entendi que é fundamental dividir pessoas e aceitar que ninguém é de ninguém. Se 'ter' alguém te deixa feliz, imagino o quão feliz ficará ao amar alguém; amor é liberdade.
- Descobri que não me importo com o seu nome, sua roupa, seu dinheiro, seu cabelo. Não me importa quem você é e sim o que tem a dizer.
- Creio que dois rapazes foram importantes (sentimentalmente) nesses, meus, 19 anos e eu fiz questão de sair da vida dos dois. Agora sinto que o terceiro ta querendo entrar, mas as portas estão fechadas e eu descobri que perdi as chaves.
- Meu coração é idiota (descobri isso na casa do Cristian)
- Tenho a capacidade de amar várias pessoas e não amar ninguém, ao mesmo tempo.
- Aquela onda de "diga com quem andas e direi quem és" rola de verdade por aqui; resolvi andar com o mundo inteiro e agora quero ver quem ousa me rotular; dizer que eu sou do mundo soa como um elogio e ainda preserva minha liberdade. Dica!
- Algumas pessoas passam a vida correndo atrás da tal 'felicidade' e quando, de fato, a encontram, não sabem usar. Felicidade é o hoje, o agora.
- Sou louca, problemática, impulsiva, gritante, desafiadora, revoltada, medrosa e ilusionista; posso ser o Ser Humano mais maluco do mundo, mas sou feliz (:
(não vou repassar, mas se alguém quiser responder pode ficar a vontade. rs)
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Lunática
Às vezes a gente cansa e cansa de uma forma que parece eterna. Minha canseira parece eterna e estou começando a achar que nasci cansada. E não estou dizendo isso para usar como desculpa pra desistir de alguma coisa, não. Não mesmo. Desistir nunca, jamais! Mas cansada eu estou e, isso eu não posso negar. Quer saber, o que me cansa, mesmo, são as pessoas; não gosto de muitas pessoas, não gosto e não faço questão. Pessoas falam demais, brigam demais, gritam demais, vivem e morrem demais; esse vai e vem todo acaba comigo, me deixa tonta, me deixa cansada, tão cansada que às vezes eu pareço uma chata reclamona que só faz reclamar de pessoas pra pessoas. Não odeio ninguém, não, só não gosto; e nem são todos, gosto dos que eu gosto, poucos, e só. Mas não odeio e nem quero matar um batalhão de gente, acho que se as pessoas não se matassem tanto eu até me simpatizaria mais com elas. É esse auê todo que me deixa confusa e confusão me deixa cansada e eu acabo falando demais e cansando todo mundo também. Pô, não pensem mal de mim, pessoas, e nem me odeiem achando que assim corresponderão meu sentimento; não é assim, não sempre. Às vezes eu gosto de pessoas, mas hoje eu estou cansada demais. Amanhã eu posso amar todo mundo e, juro, não me importo quando um amorzinho nasce aqui dentro; eu o cultivo e rego até, mas ele morre antes de florescer, sempre. Acho que estou cansada de não dar frutos, cansada de ser oca, cansada de mim. As pessoas me cansam e não posso evitar de ser pessoa também. Preciso pensar um pouco sobre isso, ou não; talvez amanhã, hoje eu só preciso fugir. Fugir dos meus pensamentos e tirar férias de mim com urgência, preciso agora, antes que o sentido de tudo se perca de vez.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Refrão de bolero
Eu que falei 'Nem pensar' agora me arrependo roendo as unhas, frágeis testemunhas de um crime sem perdão. Mas eu falei sem pensar, coração na mão como o refrão de bolero, eu fui sincero como não se pode ser. E um erro assim, tão vulgar, nos persegue a noite inteira e quando acaba a bebedeira ele consegue nos achar, num bar, com um vinho barato, um cigarro no cinzeiro e uma cara embriagada no espelho do banheiro.
Teus lábios são labirintos que atraem os meus instintos mais sacanas e o teu olhar, sempre distante, sempre me engana. Eu entro sempre na tua dança de cigana.
Teus lábios são labirintos que atraem os meus amigos mais sacanas e o teu olhar sempre me engana. É o fim do mundo todo dia da semana.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Coisas de gaveta
Guardo os meus amores numa gaveta, junto com algumas cartas antigas e poucos recortes de jornais. Eles permanecem lá, intactos e empoeirados, até o dia em que eu resolvo abri-la e a tal poeira resolve irritar meus olhos.
Com tamanha irritação eles ardem e eu sinto as lagrimas molhando as maças do rosto. Sinto tudo, mas não estou triste, não, muito pelo contrario. Chorar faz parte da limpeza e certos amores são dispensáveis.
- pois é.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Meme/Selos
1. Sou uma pateta irremediavel. rs
1º Selo: Troféu do Amigo!
Esses blogs são extremamente charmosos. Esses blogueiros têm o objetivo de se achar e serem amigos. Eles não estão interessados em se auto promover. Nossa esperança é que quando os laços desse troféu são cortados ainda mais amizades sejam propagadas. Entregue esse troféu para oito blogueiros(as) que devem escolher oito outros blogueiros(as) e incluir esse texto junto com seu troféu!!
domingo, 25 de janeiro de 2009
Viu, eu tive que explicar
Postagem anterior foi removida por motivos maiores; nascimento, morte, ressurreição.
Não queria me explicar, ainda não quero, mas vim contrariar meu querer por um querer que não é meu e é ao mesmo tempo. Confusão interna foi deixada de lado e acho que a externa vai atormentar vocês um pouco.
Sinto muito.
Assistindo uma entrevista de Clarice Lispector em que ela explica sobre o texto Mineirinho, bandido que foi massacrado pela policia com 13 tiros, com total indignação ela diz: “Qualquer que tivesse sido o crime dele, uma bala bastava. O resto era vontade de matar."
Ontem eu o matei com o primeiro tiro e ainda assim dei tiros desnecessários, deixei a vontade de matar me invadir.
Mas eu não sou assim, não sou e não quero ser.
Essa é a explicação que me cabe, sem mais e, dessa vez, sem muito também.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
só pra constar
Um livro comigo na cama, outros guardados no armário, músicas nos ouvidos e um rosto que não sai da minha cabeça.
Rostos, olhos, boca, braços, mãos.
Não sai, parece que ta trancado aqui dentro.
Pensamentos audaciosos, bons livros e Someday dos Strokes tocando sem parar. Final de semana promete, e eu sei que não vai cumprir.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Pseudomonstro do armário
O tempo corre e morre, corre e mata.
Matou minha menina e eu nem pude me despedir. Levou a garota medrosa e me trouxe a pseudoadulta covarde, que finge não ser covarde e tenta por inúmeras vezes seguir sua pseudovida, com suas dezenas de pseudonamorados e com a enorme vontade de mandar o mundo pra puta que o pariu.
A verdade é essa: A menina está viva!
Ela cresceu, o que honestamente me assusta mais ainda. Agora ela corre pra escuridão, enfrenta a noite por brincadeira. Passa horas caminhando por aquele mesmo asfalto sujo, com aquele velho tênis vermelho, com fones no ouvido e o coração no bolso. Roda sem saber por que, roda pra não rodar.
- O que eu fiz com você?
O tempo me trouxe a covardia de presente no meu ultimo aniversário e eu, como uma boa menina, aceitei com um sorriso no rosto. Agora ele quer me dar essa mulher, dizendo que sou eu. Mas eu não sou idiota, dessa vez eu não aceito nada, não.
E se ele insistir eu corro pra minha mãe, e digo que o pseudomonstro do armário voltou.
Sou mesmo muito esperta, não?!


