quinta-feira, 20 de junho de 2013

Resquícios

E então acordamos e descobrimos que tudo estava fora do lugar. A cama já era outra; os nomes eram outros; outros rostos; outra história, talvez - enfim.
A primeira coisa que me veio à cabeça: como chegamos aqui?
Eu não soube explicar.
Ela não soube explicar.
Ninguém soube e, então, seguimos em frente.

Já não ouvia o som da torneira pingando, não sentia o cheiro de café pela manhã e não ouvia o riso - e, honestamente, não ouvir o riso foi o que mais me machucou.

Outra vez fomos obrigadas a seguir; dessa vez sozinhas (ou quase).
Um abraço no lugar do beijo e um sorriso ameralado de quem sabia o que estava fazendo, mas não sabia o que estava por vir.
Normal.
Natural.

Mas preciso dizer que, às vezes, eu tenho a sensação de que a minha melhor parte ficou lá atrás, entre o riso, a torneira e o café. E é uma parte (quase minha) que jamais recuperarei.
Às vezes penso que o tempo resolverá os estragos e colocará tudo no seu devido lugar, mesmo sabendo que o tempo não tem o poder de resolver coisa alguma.

E há dias, como o de hoje, em que eu apenas não sei o que estou fazendo e me comporto como uma criança assustada e sinto saudade, muita saudade.
Uma saudade imensa, doída, sabe?
Uma saudade que nada tem a ver com os pingos ou com a xícara de café pela manhã, mas que, inevitavelmente, tem a ver com o riso.

Eu não sinto saudades dela.
Eu sinto saudades de mim.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

3h53

Gostaria de pentear meus pensamentos, assim como os cabelos, pela manhã e colocá-los no lugar e seguir a vida pintando aquele sorriso rotineiro no rosto, e olhar no espelho, dar uma piscadela, e dizer: tudo bem, vai ficar tudo bem.
Mas numa dessas manhãs ele disse "É triste. O amor foi embora" e eu fiquei pensando...
Repensando...
E talvez, só talvez, não seja tão triste assim. Talvez, só talvez, o amor tenha sido vítima e não vilão. E que ,talvez, não haja vilões - mas só talvez.
E talvez muitas coisas, várias, milhares delas. São tantas, tantas, que sei que vocês podem imaginar o quão difícil tem sido pentear os pensamentos pela manhã.

Por horas fico pensando no amor que se foi e não volta, até me obrigar a deixar toda essa confusão de lado.
Eu gostaria que fosse fácil, que fosse simples e bonito como nas histórias infantis. Eu gostaria de ter o poder de escolher, de decidir quem fica e quem vai, como se eu fosse dona de tudo e mandasse nessa loucura toda. Mas quando olho pro lado vejo o amor, sorrindo ironicamente, me pedindo pra deixá-lo em paz. E eu deixo.
Vou deixando...
Perdendo alguns pedaços pelo caminho, é claro.
E quase no fim, quase perdida por completo, percebo:
Ele tem razão.
É triste!

Preciso parar de escrever sobre o amor.

Eu queria poder mentir

O caminho me parece o mesmo e o céu continua igual, mas as palavras já não voam, soltas, como antes. Acredito que pela facilidade de calar, calei.
Queria poder dizer que o meu coração permanece puro, meu sorriso sincero e a cabeça no lugar. Queria poder mentir.
A vida tem se mostrado estranha, alheia, piegas. De um jeito que, anos atrás, me faria escrever e reescrever sobre fatos, relatos e amor. Mas, esse - o amor - me deu um tapinha nas costas e se foi; assim, simples, numa tarde morna sem sobressaltos ou avisos.
Eu o chamei de volta, gritei, fiz graça, forcei um sorriso como quem diz "ei, aqui pode ser legal também, eu posso ser", mas, adivinhem?! ele não acreditou. Não o culpo. Eu, honestamente, também não acreditaria naquele sorriso.
E foi assim, senhores, que eu cheguei aqui; com os mesmos tênis gastos, as mesmas músicas e o meu coração no bolso.
Há dias em que tento entender certas coisas, há outros em que só quero esquecer. Esquecer todo esse sentimentalismo barato que nos faz ver tanta beleza no caos. Eu até  gosto do caos. Gosto do gasto. Daquilo que um dia foi lindo e hoje é apenas a sombra de uma beleza morta.
Eu gosto do amor, senhores. Eu gosto do amor, vocês podem entender?
Eu ainda tenho esperança que ele volte, um dia, em outro sorriso e em um novo olhar e que, enfim, me diga "ei, garota, aqui é legal e você também pode ser"
E então serei. E seremos juntos. E não haverá meios sorrisos.
Não haverá corações em bolsos.
Não haverá.
Não verás.
Não verei.
Todos cegos, mais uma vez, diante toda essa beleza que está fadada ao fracasso.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

CONFESSO


Na ânsia de escrever não escrevo nada.
Por tentar dizer e não poder, não querer; me esqueço.
Esqueço as palavras, a loucura, as doçuras.
Me esqueço das lagrimas no fim.
Mas o peito continua aberto – e o sorriso largo.
Não pego o lápis, já não sujo as mãos de tinta.
Poderia dizer: Relaxa, Camila, é crise”, mas eu sei que enfiar o dedo na garganta já não me satisfaz.
Não tenho o que dizer, não digo.
Não posso escrever, não sou.



quarta-feira, 27 de junho de 2012

Promoção no Twitter - REVISTA III



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- Só serão efetivados os participantes que curtirem a página no facebook, seguirem a Revista III no Twitter e postarem o link exatamente igual
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- Os ganhadores terão até 2 dia para entrar em contato e enviar seu endereço completo e correto para o email revistaiii_cultura@hotmail.com . Se não entrarem em contato nesse período será automaticamente sorteado outro ganhador.
O resultado sai dia 19 de julho, quinta-feira.

domingo, 3 de junho de 2012

Porta Retrato


Por Camila Barbosa
Twitter: @mamila_caria
E-mail: camila.mih@hotmail.com


As luzes se acenderam e, agora, eu podia vê-lo claramente.
As mãos caídas sobre as pernas, o corpo exausto e aquele ar de quem sabia onde estava, como chegara até ali e o porquê da vinda. O sorriso ainda era o mesmo, igual há três séculos – ou três minutos, não sei –, quando a gente se viu pela primeira vez. Agora só eu o via. Só eu o ouvia. Só eu.
Eu só.
Era domingo, as cortinas se fecharam, as luzes se acenderam e eu encontrei aquele que eu sentia tanta falta. Ele não me via. Não podia me ver ou não queria ou não conseguia ou apenas queria não conseguir. E eu me entorpecia daquele cheiro que vinha só dele.
Por Deus, como eu quis beijá-lo aquela noite. Como o meu coração sentiu necessidade em senti-lo, como eu precisava, arduamente, daquele corpo sobre o meu ao menos uma vez mais.
Ele permanecia estático; as mãos caídas sobre as pernas, o sorriso de exaustão nos lábios. Eu já me encontrava contorcida ao chão, vestida em cólera, rezando para saudade me deixar em paz.
As memórias, agora acordadas, corriam como vultos em minha volta, entoando canções que me transportavam para um mundo paralelo ao meu. Empurravam-me para qualquer coisa, para qualquer um; faziam-me contorcer a olhos vistos e gritar teu nome por todos os cantos do quarto. Gritei até alguém me ouvir, até a garganta sangrar, a boca arder e a audição ficar escassa.
De nada adiantou.
Você nem se moveu.
Sequer olhou em minha direção. Continuou imóvel, misterioso, lindo, dormindo em sua moldura de fotografia.
Eu sabia que a claridade machucava, eu sabia o quão segura a escuridão podia ser.
Agora me pego dançando a sua volta, tentando trazer qualquer vestígio de atenção para mim, tentando provocar qualquer sentimento por menor, e mais impuro, que seja. Qualquer um!
Me odeie, me maldiga, morra de raiva ou, então, de nojo. Cuspa em mim. Escarre. Jogue-me num canto qualquer e me corte, me queime. Qualquer coisa, amor, mas, por favor, não me olhe como se estivesse olhando o nada.
Tire esse sorriso do rosto, tire as mãos das pernas, feche os olhos e durma. Descanse. O mal já foi embora, e eu zelarei por você.
Os meus olhos estão cansados de olhar os seus que mais parecem promessas. Meu coração não suporta bater tão descompassado. E o meu corpo, lasso, não é capaz de abrigar tanta vontade.
Saia dessa redoma que te protege. Saia de si. Crie vida, vem para o mundo. Vem para o meu mundo e dançaremos, livremente, nesse breu que nos consola.
Ah, se eu soubesse como lhe trazer pra perto...
Se eu soubesse como lhe tirar de dentro e colocá-lo ao lado, eu o faria. Sem duvidas, sem culpas, sem pena.
Mas eu não sei.
Enquanto o seu viver me consome eu só peço, a qualquer um, que os telefones toquem, que as cartas cheguem e que, enfim,  esse  porta-retrato se quebre.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Além...

E se eu te dissesse que tudo não passou de um sonho e que eu havia moldado todas as palavras antes de enfiá-las na boca e calá-las para sempre?

Gritei, dentro de mim, espantando todos os fantasmas dos meus sentimentos mortos, enquanto você dormia.

Pintei todas as cores dos nossos olhos e desenhei cada linha do seu corpo com uma minuciosidade desigual, calei a noite e despertei o dia, percorri as estradas da ilusão plantando semente de nós dois, enquanto você dormia.

Conheci rostos e gostos gastos, sapatos gastos, vidas gastas.

Dancei valsa com a saudade, morri e renasci três vezes ao dia, me encontrei no desconhecido, enquanto você dormia.

Se eu te dissesse que tudo não passou de um sonho, você acreditaria?

Talvez tenha sido um pesadelo, loucura talvez.

Ando tão descrente, amor.

Mãos cansadas, pés descalços, coração na boca ou no bolso – não sei.

Ando e procuro em cada passo uma resposta, uma denúncia, um sopro do que ficou. Conto e reconto e desconto tudo e nada, um passo a frente e um litro de alma se esvai.

Sem alma, sem rosto, sem nome, amor.

O seu gosto já está gasto em minha boca.

E se eu te dissesse que nunca houve sonho algum?

Sonhos não existem, amor.

Nós não existimos; nem você, nem eu.


Veja mais em: http://arlequim-incognita.blogspot.com.br/2012/03/revista-iii-quarta-edicao.html

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REVISTA III - Quarta Edição