sábado, 25 de julho de 2009

pois é

"Tá certo que o sonho acabou, mas também não precisa virar pesadelo, não é?"

SEM NET POR TEMPO INDETERMINADO :/
Não me abandone, gente, eu prometo que volto :)

domingo, 19 de julho de 2009

Entre quatro paredes

Atravessei a casa correndo, desesperado, querendo, mais que nunca, me ver guardado por quatro paredes. Entrei no quarto. Bati a porta. Fez barulho. Mas não qualquer barulho. Era barulho de porta batida em quarto vazio. O quarto não estava vazio, eu estava lá. Gritei como louco. E os meus gritos criaram asas e voaram por todo aquele cômodo; voaram, se debateram e caíram, mortos, ao chão. Sujaram o tapete de sangue. Grito sangra. Sangra, sim! Só podia ser sangue de grito. Eu não sangro nunca! E dai que eu estava machucado? E dai que a pessoa atrás daquela porta batida se importava com meu ferimento? Eu quero me curar sozinho. Quero dividir minha vida com as paredes. Mas ela não deixa; a Dona Dos Olhos Grandes insiste em me curar. Eu já disse a ela, trezentas vezes, que eu não estou doente. Não estou. Não sou. E os gritos voam sem parar. Atravessam a janela e acordam os vizinhos. E eu os jogo, para fora, com a esperança de que eles atravessem a parede certa e acordem A Menina Branca. Ontem ela disse tudo o que eu queria ouvir. Teorizou sobre amores e até disse as três palavras que formam a frase mais clichê do mundo. Disse tudo. Falou e falou e beijou. No final sempre acontece o beijo e, no fim, ela beijou. Perdeu-se naqueles braços que não eram meus. Deixou-se levar. Pediu que a levassem. E eu só gritei: Fica! Fica!
E ela ficou; aqui dentro.
Eu tentei sorrir e até coloquei band-aid para disfarçar os machucados. Mas as palavras estavam tão afiadas que eu não pude dar conta de tanto ferimento. Não pude. Eu quase a tive. Quase a toquei. Quase fui amado por ela. Os indícios me mostravam o caminho certo. Tudo parecia certo. E agora eu só me pergunto onde foi que eu errei. Onde foi? Me digam! Digam! Apontem o erro e depois riam de mim. Debochem. Se divirtam as minhas custas. Mas me mostrem o erro. Eu deveria me contentar com o abraço. Os abraços ficam para os amigos. Eu era amigo. Amigo demais para beijar a mocinha. E os gritos não param. Não param. Eu tapo minha boca, mas eles se esvaem pelos cantos. Batem nas paredes. Voam e morrem. Morrem. Sangram. Agora batem na porta. Batem e pedem para entrar. É a Dona Dos Olhos Grandes, eu sei. Ela quer me curar a todo custo. Curar-me da Menina Branca. Ela quer me levar daqui, quer me levar para ela. Não posso. As paredes me protegem, como muros, me impossibilitam de enxergar. Eu não quero ver. Não quis. Eu hesitei até o ultimo instante. Me fiz de surdo para não ouvir o que A Menina Branca tinha a dizer. Ela disse, mesmo assim, como se fosse cega perante minha surdez. E repetiu tantas vezes que quase me mutilou.
— Não diz mais nada, por favor. — pedi.
E então estava feito. Estava desfeito. Amor jogado fora. E foi como se aquela certeza inquestionável fosse quebrada. Como se aquela verdade absoluta fosse mentira. Eu corri. Corri para não chorar na frente dela, para não estragar o carpete com a minha água salgada. Atravessei a casa correndo. Bati a porta do quarto e convidei os gritos a me fazerem companhia. E nessa bagunça já não sei quem sou. A mão de alguém bate, sem descanso, na porta do meu quarto. Os gritos se debatem contra as paredes. E eu procuro, na memória, um erro para facilitar o entendimento. Pessoas batem na porta. Gritos morrem ao chão. Batem. Morrem. Batem. Morrem. Batem. Morrem. Morrem. Morrem. Morro; entre quatro paredes.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

introspecção

Com a mão na boca Ele reza baixinho, pedindo pra que Deus acabe de uma vez com a angustia. Prende as palavras com a mão. Fala e pede; reza. Sabendo que o fim será apenas o recomeço. Sabendo que o ciclo não para nunca. Nada para. A vida continua. Mesmo com esse corte fundo enfeitando sua pele. Mesmo com a ausência dançando balé na sala de estar. Tudo continua como sempre foi. Os carros correm sem parar. As pessoas vêm e vão pelas mesmas ruas. Brincam. Choram. Riem. Só Ele grita. Só Ele sofre.
Só.
Sozinho.


"Repito sempre: sossega, sossega - o amor não é para o teu bico"

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Desabafo, blábláblá e rock'n'roll

Relembrar o passado não me deixa triste, mas ainda não fui capaz de sorrir, abertamente, tendo os olhos voltados para trás. Talvez eu não queira sorrir, com a esperança de que o, tão esperado, sorriso futuro seja maior.
É; eu tenho esperança de um sorriso futuro.
E é essa esperança, essa fé sem propósito, que me destrói. O motivo do sorriso está lá atrás e voltar os olhos naquela direção me impede de sorrir.
Confuso, não é? Eu sei. É complicado demais.
Então essa é a hora em que eu devo reclamar da vida; reclamar de tudo que era para ter sido e não foi e de tudo que foi e não deveria ter sido. Reclamar do que deu errado e blábláblá?
Até gosto de reclamações, mas hoje estou sem saco então prefiro pular essa parte.
Quero simplificar. E aquela história de gritar que eu te amo em frente a sua casa, até minha voz sumir, não saiu do papel. Eu não saí do papel. Nada saiu. Eu nem sei se você mora no mesmo lugar. Eu não sei tanta coisa...
Não sei se ainda usa aquele perfume; se ainda odeia computadores; se ouve as mesmas musicas; se ainda se interessa por história ou, se ainda, me acha a garota mais mimada do mundo. Sei lá. Talvez você tenha mudado seus hábitos; tenha desistido de jogar futebol e decidido usar corretamente seus óculos e, talvez, esteja certo ao dizer que eu mereço uma explicação. Eu realmente mereço, mas não quero. Posso não querer, não posso? Não quero ouvir mais uma vez tudo o que já estou cansada de ouvir.
Desculpa, mas dispenso suas palavras.
É hora de tentar algo novo, hora de voltar os olhos para uma direção menos tensa. Deixar tudo para lá, ou para depois, cansa menos, entende? E eu quero estar menos cansada, e sorrir sossegada, mesmo o meu motivo estando longe.
Existe outros motivos, não existe?
Eu sei que existe, sempre existe.
Eu apenas devo me focar no novo e deixar o velho para trás. Simples. Como uma troca de roupa. Troco o antigo moletom pelo novo. É isso, não é? Simplicidade. Acho que foi isso que você me disse para fazer, não foi?
Não! Não foi.
Você nunca diz nada, apenas insinua. Odeia certezas. E eu odeio parecer tanto com você. Odeio ser, de certa forma, obrigada a entender seus atos apenas por agir exatamente igual. Odeio ser igual. Odeio te entender, odeio essa ladainha toda, odeio desabafos e, odeio ainda mais, não conseguir te odiar. É confuso demais; tanto, que eu já não sei o que lhe dizer. Não sei o que fazer, não sei para onde ir e, muito menos, que nome gritar. Não sei.
Então respiro fundo e fecho os olhos. É uma alternativa, não é?
Fechar os olhos pro mundo e deixar que tudo aconteça sem nenhuma, eu disse nenhuma, interferência minha. Essa historia de abraçar o que eu quero com força já está batida; não tenho força e temo que ele recuse o abraço.
Eu o quero. Assumo. Parei de mentir para mim. Parei de me enganar e fingir que não tenho essa merda de coração. O amo, pra caralho, mas me amo ainda mais. Pode, e vai, parecer egocentrismo, mas é a verdade. Eu me amo e não me permito dar murros em ponta de faca. Não me permito sofrer novamente.
Eu te quero, você sabe, e isso me basta.
Deixo aqui minha angustia de não ter conseguido te fazer feliz, ou de nem ter tentado. Deixo tudo abandonado nessas linhas.
É preciso seguir em frente e sem dor; embora, em segredo, aqui no cantinho, ainda doa. Às vezes a melhor coisa a fazer é deixar o passado no passado.
Eu não tenho escolhas.

E viva o rock'n'roll \o/

domingo, 5 de julho de 2009

Heterônimos

"Quando eu estiver morto suplico que não me mate"

São tantas em uma só que às vezes me perco. Tantas cenas. Tantas falas para decorar. Tanto não pra dizer. Tanto talvez. Tanto tanto. É demais. Excesso. Exagero. Sempre ultrapasso o limite permitido. Sempre quero mais e mais e mais. É sempre. Ou nunca. O talvez fica entre os dois para eu ganhar tempo e poder lembrar as falas esquecidas.

A Celeste, não.
Ela sempre sabe o que dizer na hora que tem de dizer. Sabe forjar, como ninguém, uma carinha de puta virgem. Sabe ser falsa. Sabe ser. Sabe sentir. Sabe tudo e só faz o que quer na hora que quer. E não se importa com os quereres alheios.
Tudo bem. Quem, de fato, se importa?

Mas são tantas. Tantas. Muitas. Milhares. Quase me perco. Quase desisto do jogo e volto pra casa com as fichas restantes no bolso. Quase me entrego.

A Tereza, não.
Ela nasceu entregue. Nasceu do mundo para o mundo. Nasceu para noite. Corre de encontro ao nada com o sorriso no rosto. Corre. Voa. Pisa no asfalto sujo como quem caminha por entre as nuvens. Não tem pressa. Não tem presa. Sorri bonito, os convidando para se juntar a ela. Eles vão. Sempre vão.
Tudo bem. Eu não me importo.

Só estou cansada. Cansada e vazia. O vazio cansa mais que qualquer outra coisa. Não esperar me desespera e me desesperar me deixa imune a esperança. São tantas. Tantas morando numa só. Tantas cenas. Pouco ensaio. Figurino tosco. Peça podre. E muita, muita, gente. Demais. Pessoas e pessoas sem ter o que fazer. Eu também não tenho...

A Maria, não.
Ela carrega o mundo nas costas. Se preocupa com o lado do pêssego, não mordido, caído no quintal da tia do primo da sua vizinha. Sente pena. Sofre pelos outros. Chora por eles. Tem preguiça por eles. Lamenta por eles. Vive por eles. Enquanto eles, simplesmente, não se importam.
— Carrega o mundo porque quer.
— Faz tudo porque tem vontade.
E quando pensa em voltar atrás, perde ponto. Perde vidas. Perde alma.
A dela. A sua. A minha.
Nossa alma.

São tantas. Tantas que às vezes me perco.
Tereza conquista;
Celeste machuca;
Maria conserta.

Até quando? Até onde?
Será que terapia em grupo resolve?

ps: Terça-feira estreia da peça MAIS BACANA DO MUNDO (a nossa..rs), todo mundo la, hein. Muita MERDA pra gente. (:

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vazamento

O barulho é quase imperceptível. Quase não é barulho, mas está ali. Eu sei. Eu sinto. Eu ouço. É o barulho da espera. Afaga-me os ouvidos como se aquele amontoado de som fosse um carinho; uma maneira de dizer "estou aqui, com você". Eu não queria. Não quero. Mas não me levanto. O deixo ser barulho, ser ausência; o barulho da espera. É como uma torneira mal fechada, instalada aqui dentro, sabe? Instalada na partezinha que mais dói, a mais sensível. A torneira está quase aberta; mal fechada. Está pingando.. Pingo, pingo, pingo; pingos. Um atrás do outro. E dói. Dói ouvir o tilintar da gota caindo, tocando a superfície da parte sensível. Dói ouvir o barulho da espera. Dói esperar. Dói. Dói. A torneira está aberta e me inunda em dor. E eu não posso fazer nada. Nada além de esperar. Esperar o dia em que a mão estranha apareça e conserte meu vazamento.

ps: foi o Diegones quem me mostrou Caio Fernando abreu. Thanks, Dii
ps2: Maíra, muito obrigada por me mostrar o significado do nome Camila :)

terça-feira, 30 de junho de 2009

Além do ponto

Chovia, chovia, chovia e eu ia indo por dentro da chuva ao encontro dele, sem guarda-chuva nem nada, eu sempre perdia todos pelos bares, só levava uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito, parece falso dito desse jeito, mas bem assim eu ia pelo meio da chuva, uma garrafa de conhaque na mão e um maço de cigarros molhados no bolso. Teve uma hora que eu podia ter tomado um táxi, mas não era muito longe, e se eu tomasse um táxi não poderia comprar cigarros nem conhaque, e eu pensei com força então que seria melhor chegar molhado da chuva, porque aí beberíamos o conhaque, fazia frio, nem tanto frio, mais umidade entrando pelo pano das roupas, pela sola fina esburacada dos sapatos, e fumaríamos beberíamos sem medidas, haveria música, sempre aquelas vozes roucas, aquele sax gemido e o olho dele posto em cima de mim, ducha morna distendendo meus músculos. Mas chovia ainda, meus olhos ardiam de frio, o nariz começava a escorrer, eu limpava com as costas das mãos e o líquido do nariz endurecia logo sobre os pêlos, eu enfiava as mãos avermelhadas no fundo dos bolsos e ia indo, eu ia indo e pulando as poças d'água com as pernas geladas. Tão geladas as pernas e os braços e a cara que pensei em abrir a garrafa para beber um gole, mas não queria chegar na casa dele meio bêbado, hálito fedendo, não queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando também que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando a pé naquela chuva toda, e eu andava, estômago dolorido de fome, e eu não queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o lábio inferior ao sorrir, se sorrisse, e quase certamente sim, quando o encontrasse, para que não visse o dente quebrado e pensasse que eu andava relaxando, sem ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era. Começou a acontecer uma coisa confusa na minha cabeça, essa história de não querer que ele soubesse que eu era eu, encharcado naquela chuva toda que caía, caía, caía e tive vontade de voltar para algum lugar seco e quente, se houvesse, e não lembrava de nenhum, ou parar para sempre ali mesmo naquela esquina cinzenta que eu tentava atravessar sem conseguir, os carros me jogando água e lama ao passar, mas eu não podia, ou podia mas não devia, ou podia mas não queria ou não sabia mais como se parava ou voltava atrás, eu tinha que continuar indo ao encontro dele, que me abriria a porta, o sax gemido ao fundo e quem sabe uma lareira, pinhões, vinho quente com cravo e canela, essas coisas do inverno, e mais ainda, eu precisava deter a vontade de voltar atrás ou ficar parado, pois tem um ponto, eu descobria, em que você perde o comando das próprias pernas, não é bem assim, descoberta tortuosa que o frio e a chuva não me deixavam mastigar direito, eu apenas começava a saber que tem um ponto, e eu dividido querendo ver o depois do ponto e também aquele agradável dele me esperando quente e pronto.


Um carro passou mais perto e me molhou inteiro, sairia um rio das minhas roupas se conseguisse torcê-las, então decidi na minha cabeça que depois de abrir a porta ele diria qualquer coisa tipo mas como você está molhado, sem nenhum espanto, porque ele me esperava, ele me chamava, eu só ia indo porque ele me chamava, eu me atrevia, eu ia além daquele ponto de estar parado, agora pelo caminho de árvores sem folhas e a rua interrompida que eu revia daquele jeito estranho de já ter estado lá sem nunca ter, hesitava mas ia indo, no meio da cidade como um invisível fio saindo da cabeça dele até a minha, quem me via assim molhado não via nosso segredo, via apenas um sujeito molhado sem capa nem guarda-chuva, só uma garrafa de conhaque barato apertada contra o peito. Era a mim que ele chamava, pelo meio da cidade, puxando o fio desde a minha cabeça até a dele, por dentro da chuva, era para mim que ele abriria sua porta, chegando muito perto agora, tão perto que uma quentura me subia para o rosto, como se tivesse bebido o conhaque todo, trocaria minha roupa molhada por outra mais seca e tomaria lentamente minhas mãos entre as suas, acariciando-as devagar para aquecê-las, espantando o roxo da pele fria, começava a escurecer, era cedo ainda, mas ia escurecendo cedo, mais cedo que de costume, e nem era inverno, ele arrumaria uma cama larga com muitos cobertores, e foi então que escorreguei e caí e tudo tão de repente, para proteger a garrafa apertei-a mais contra o peito e ela bateu numa pedra, e além da água da chuva e da lama dos carros a minha roupa agora também estava encharcada de conhaque, como um bêbado, fedendo, não beberíamos então, tentei sorrir, com cuidado, o lábio inferior quase imóvel, escondendo o caco do dente, e pensei na lama que ele limparia terno, porque era a mim que ele chamava, porque era a mim que ele escolhia, porque era para mim e só para mim que ele abriria a sua porta.


Chovia sempre e eu custei para conseguir me levantar daquela poça de lama, chegava num ponto, eu voltava ao ponto, em que era necessário um esforço muito grande, era preciso um esforço muito grande, era preciso um esforço tão terrível que precisei sorrir mais sozinho e inventar mais um pouco, aquecendo meu segredo, e dei alguns passos, mas como se faz? me perguntei, como se faz isso de colocar um pé após o outro, equilibrando a cabeça sobre os ombros, mantendo ereta a coluna vertebral, desaprendia, não era quase nada, eu mantido apenas por aquele fio invisível ligado à minha cabeça, agora tão próximo que se quisesse eu poderia imaginar alguma coisa como um zumbido eletrônico saindo da cabeça dele até chegar na minha, mas como se faz? eu reaprendia e inventava sempre, sempre em direção a ele, para chegar inteiro, os pedaços de mim todos misturados que ele disporia sem pressa, como quem brinca com um quebra-cabeça para formar que castelo, que bosque, que verme ou deus, eu não sabia, mas ia indo pela chuva porque esse era meu único sentido, meu único destino: bater naquela porta escura onde eu batia agora. E bati, e bati outra vez, e tornei a bater, e continuei batendo sem me importar que as pessoas na rua parassem para olhar, eu quis chamá-lo, mas tinha esquecido seu nome, se é que alguma vez o soube, se é que ele o teve um dia, talvez eu tivesse febre, tudo ficara muito confuso, idéias misturadas, tremores, água de chuva e lama e conhaque batendo e continuava chovendo sem parar, mas eu não ia mais indo por dentro da chuva, pelo meio da cidade, eu só estava parado naquela porta fazia muito tempo, depois do ponto, tão escuro agora que eu não conseguiria nunca mais encontrar o caminho de volta, nem tentar outra coisa, outra ação, outro gesto além de continuar batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, batendo, na mesma porta que não abre nunca.

Caio Fernando Abreu
ps: "descobri" Caio Fernando Abreu só agora, e estou encantada com tudo.
ps2: Todo mundo TEM que ir pra Sampa me ver. rs
ps3: Quero Morangos Mofados de Caio Fernando Abreu, se alguem quiser me dar esse presentinho eu passo meu endereço.. hahaha

domingo, 28 de junho de 2009

Convite



A vida é feita...em fragmentos





Sempre às 20hs - terças-feiras

Dia 07.07 - CEU Pera Marmelo (Rua Pera Marmelo, 260 - Jaraguá - Zona Norte)

Dia 28.07 - CEU Vila Curuça (Rua Marechal Tito, 3450 - Vila Curuça- Zona Leste)

Dia 04.08 - CEU Azul da Cor do Mar (Av. Ernesto Souza Cruz, 2171 - Cidade A. E. Carvalho - Zona Leste)

Dia 11.08 - CEU Cidade Dutra ( Av. Interlagos, 7350 - Zona Sul)

Dia 18.08 - CEU Aricanduva ( Rua Olga Fadel Abarca, s/n, ao lado do Shopping Aricanduva)

Dia 25.08 - Centro Cultural da Juventude (A. Dep. Emilio Carlos, 3641 - ao lado do term. cachoeirinha - Zona Norte)

Dia 01.09 - CEU Butantã (Av. Heitor Antonio Eiras, 1700 - perto do Km 12 da raposo tavares)

Estaremos em Sampa todos esses dias; o Grupo Mandragorah e eu :D
Não estou atuando (não nasci pra isso), mas tem dedinho meu ai - e texto meu também.
Então, galera, conto com vocês.
Todo mundo junto para ver alguns textos meus ganhando vida e para ver o meu trabalho de ajudante o/ [estarei no camarim, mas meu trabalho é essencial, ok? hahahaha]

Aqui → http://vocacionalapresenta2009.blogspot.com/ tem mais detalhes.

Malu, Wagner e galera de Sampa, não aceito NÃO como resposta.
Vocês VÃO "me" ver. hahaha
Beijão.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Limonada

Três mãos de tinta.
Três.
Três mãos de tinta para eu poder enxergar aquele verde gritante. Estava escuro. Eu digo. Tentando me desculpar pela cegueira que me inunda, sabendo que todas as luzes estavam acesas e que a claridade quase transformava minha noite em dia.
Eu via manchas. Imperfeições. O que me obrigou a pintar e pintar até sentir a mão doer. O pincel manchava a caixa. Maltratava. E eu, pra consertar, pintava sem parar. Não troquei o pincel. Não parei um momento sequer. Se a caixa pudesse, teria gritado. Talvez transformado o meu verde cítrico em vermelho sangue. Se ela pudesse. Talvez. Sem certezas. Se ela pudesse tudo estaria vermelho. A caixa, as minhas mãos e o pincel. Todos juntos. Provando da mesma cor e do mesmo sentimento. Um trio. Triangulo. Três pessoas?
Duas.
Uma sempre cede primeiro. Se rende. Minhas mãos cansadas do trabalho, árduo, de manusear o pincel para arrumar a caixa; se rendeu. Cansou.
Deixou a caixa quase pronta.
Quase completa.
Quase.. Feliz?
A caixa era verde. Cítrico. Como limão; talvez fosse azeda também.
Estava manchada, por culpa do pincel, e reclamava por estar vazia. Culpava as manchas. Culpava as mãos. Culpava o pincel. Culpava o fabricante. Culpava a cor da tinta. Culpava o verde. Cítrico.
Era azeda.
Não tenho culpa. Não temos culpa. Não há culpados.
Um dia a caixa vai entender que o pincel só fez o que tinha de ser feito. Um dia o pincel vai entender que minhas mãos estão descrentes demais pra continuar. Um dia eu volto a pintar. Volto. Um dia.
Um.
E será verde.
Oliva. Musgo. Folha.
Cítrico, não.
Cítrico azeda; me azeda.

Uma semana sem sentido merece um texto sem sentido, não? Aqui só tem bom entendedor; e pra bom entendedor...? rs

terça-feira, 23 de junho de 2009

Inverno

Talvez seja tarde pra ligar e dizer certas coisas nunca ditas.
Talvez seja tarde pra ligar e dizer certas coisas.
Talvez seja tarde pra ligar e dizer.
Talvez seja tarde pra ligar.
Talvez seja tarde; e só.


ps: talvez não seja tão tarde assim. rs
ps2: se você ainda não ouviu a banda Instinto, dê uma olhada na postagem anterior.
ps3: Cold Case ta sugando minha vida.. rs
ps4: está frio demais, minha gente.
ps5: Rhaissa você é uma fofa. ;) [e eu não fui no show do The kooks :/]
ps6: chega de "ps". tchau!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Instinto

A BANDA! rs
Pois é, galera, abro espaço para um momento "divulgação" haha




Ouçam.
Vale a pena ;)
E é claro que vocês, BACANAAAS, vão dar uma força na comunidade, né?
Eu sei que vão, por isso adoro vocês. hahahahahahaha


http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=2139891
[clica aí]

Bom, é isso.
Dica pra quem curte musica boa, que, cá entre nós, ta dificil de encontrar hoje em dia.
Na comunidade tem mais detalhes da banda e o myspace, tudo direitinho.
Obrigada pela atenção, pela força e pelos ouvidos.

;*

segunda-feira, 15 de junho de 2009

!

As duvidas pegaram as malas e foram embora e a certeza está atrasada há três dias. Outras coisas, e pessoas, foram embora também e eu não entendo porque eu ainda continuo aqui.
Meu trabalho acabou; eu fiz tudo do jeito certo e na hora certa. Usei os melhores argumentos e o meu incrível talento pra dissimular certas verdades. Fingi. Fugi. E no fim tudo voltou ao começo. Era isso que eu esperava e agora eu sei que eles esperavam também. Lutei tanto pra conseguir o que, uma hora ou outra, iria acontecer mesmo sem minha ajuda. Cansei e não medi esforços. Sou forte pra caramba; consigo andar por horas com um corte aberto sangrando. Consigo sorrir também. E o melhor de tudo; consigo não chorar.
Essa idéia de água saindo dos olhos não me cai bem, mas a cabeça pesa tanto que chega a doer. O coração não dói. Não tenho.
A raiva faz moradia em mim e eu pretendo deixá-la aqui por algumas horas. É necessário e inevitável. Vocês entendem, não é?

O do exagero é exagerado demais.
E me obrigar a correr com os pés mutilados não é bacana. Talvez ele não seja tão bacana assim. Talvez ele seja demais, mas não seja pra mim. Talvez eu canse desse drama amanhã e comece a jogar de novo.
O jogo sempre continua, e eu tenho um bocado de fichas nos bolsos.
O bom é que agora todas as mascaras caíram, não é, Exagero?
Agora você pode continuar sua vida sem precisar fingir que me ama. Devia ser um saco.
Eu não acredito em você.
Não.
Você deve estar cansado de ler isso e cansado de me contradizer, mas eu sei que no fundo você sabe que eu tenho razão. Suas palavras pedem crença e suas mãos gritam "NÃO ACREDITE EM MIM"
Meus ouvidos são bons.

Ainda não te culpo, pois eu sempre soube que aquele que fala demais é o que nunca tem nada a dizer. Palavras e palavras e palavras.
Eu só sinto muito pelos argumentos.
Poderia tê-los guardado para uma hora mais propicia, de maior urgência.
Você poderia ter me poupado, amigo; nos poupado.
Mas ta tudo bem; sem feridas, sem sangue, sem nada.
Tudo como sempre foi.
É claro que eu não entendo algumas coisas, mas acho que nem faço questão de entender; como não faço questão que você entenda.
É drama, bobagem.
Tudo bem.
A Sem Coração, aqui, vai aceitar tudo de bom grado. Vou sorrir e ainda vou agradecer por tudo.
Game over, baby.
A certeza acabou de dar as caras por aqui. ;)