domingo, 21 de dezembro de 2008

"Não posso continuar, porque você me ama ao cubo e eu te amo ao quadrado. Não posso te dar menos do que você merece"
Cazuza

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

o ultimo

eu tive medo de acordar e encontrar aqueles olhos estranhos. tive medo e ainda tenho. olhos que me tiram a calma roubam meu coração e o mastigam pouco a pouco, pedaço por pedaço. olhos poderosos com uma puta vontade de foder minha mente, foder minha vida, me foder. e eu não faço nada a não ser aceitar. aceito tudo de bom grado, com um sorriso no rosto e algumas pedras nas mãos. nunca as atiro, nunca, porque eu sou covarde mesmo, e corajosa demais pra assumir minha covardia. não me importo em me esconder se eu não sangrar, tenho medo de me machucar e sou medrosa pra caralho. tenho medo de acordar e ser obrigada a encarar aqueles olhos famintos que vivem a me cobrar. não tenho como pagar nada, não agora. tenho alma de menos e contas de mais, problemas de mais e nenhuma solução. só quero dormir, ficar nesse meu cantinho com os olhos bem fechados. sem rezar, sem prometer, sem pedir nada. Não quero nada. mas juro que ainda quebro aquele espelho filho da puta!


"Dissestes que se tua voz tivesse força igual à imensa dor que sentes teu grito acordaria não só a tua casa, mas a vizinhança inteira..."

Desprovida de beleza; isso inclui minhas palavras, meus sentimentos e “unas cositas más” (beleza e criatividade só no proximo ano, ok? Minha imaginação se foi ao longo dos dias. Sinto muito, sinto mesmo. Droga! .-.)

sábado, 13 de dezembro de 2008

Camila

Foi ele quem te quis assim, quem te pintou nua naquela parede branca daquele apartamento antigo. Foi ele quem decorou sua essência e escreveu a partitura da canção que te ilumina. Ele quem te moldou e te transformou no que hoje você é. Foi ele. Ele quem te fez ver o mundo com esses olhos, quem te mostrou a graça da ausência e das janelas fechadas daquele quarto escuro. Foi ele quem te mostrou a solidão, quem deixou esse amargo em sua boca e apagou aquele brilho que era constante em seu olhar. Ele. Foi ele quem te quis assim, quase morta.

[desculpa a falta de inspiração, mas as palavras estão custando a sair ultimamente .-.]

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Deletério

Os anjos disseram pra eu ser honesta com o meu coração e eu fui eu acho.
Apenas brincava com ele como ele fez comigo a vida toda. Perturbava mesmo. O confundia sempre, por prazer, pirraça.
Na luta diária com meu coração eu já vinha sendo a vencedora há tempos, há muito. Eu sempre saia inteira, e meu coração destruído. Grande vantagem, não? Não! Pelo menos ele aprendeu que comigo não se brinca e que não pode bater como se essa caixa torácica fosse dele.
Os anjos disseram pra eu ser honesta com o meu coração. Mas quem precisa de anjos?

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Queria agradecer a galera que sempre vem ler meus rabiscos, fico muito feliz em saber que existe alguém no MUNDO que gosta das minhas linhas tortas. rs
Agradecer também a galera que faz propaganda do blog, colocando meus textos e o link no perfil do orkut, em fotolog e tudo mais. Obrigada mesmo, agradeço do fundo desse coração pulsante que não é de chocolate. ;)
Jana, to arriscando sua idéia, prendi a vontade aqui e os rabiscos estão saindo. To tentando, mas não sei ao certo meu futuro ou o futuro desse "supostofuturolivro" hauihaiuah
Beijos. ;**

sábado, 6 de dezembro de 2008

* Importante *

Não. Eu não importo. Não me importo com o que você pensa em quem você pensa ou quem pensa em você. Não. Realmente não me importo. Não me importo com quem você anda, de que você anda e quem anda atrás de você. Não me importa as palavras não ditas, nem aquelas mil vezes ditas e muito menos as que eu julgo malditas. Não me importa o seu olhar de desprezo, ou aquele olhar pedindo algo em troca, me querendo em troca, me pedindo, me testando. Não me importa o que você quer o que você sente o que você sonha.
É amor? Não me importa. Não adianta meu bem, as coisas são assim, e por mais que haja importância tem sempre alguém que simplesmente não se importa. Eu.

Minha prima Marina (dona do blog Utopia) que escolheu o texto :)

Passa no blog Utopia, gente. Ela escreve bem :D

Vontade de escrever um livro [pena que vontade dá e passa .-.]

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Aquarela

É estranho me encontrar nessa encruzilhada no meio da noite, eu sei, mas meus pensamentos gritam alto e não me deixam dormir. Sentada na esquina me deparo com a saudade, sozinha, remoendo fatos remotos, saudosos e tristes. E ao olhar para cada estrela fria, me recordo da dúvida que vem roubando meu sono há noites. Eu conheço bem aquela história de que o Azul não seria nada se todos gostassem do Vermelho.
Mas o que fazer quando se ama os dois?

domingo, 30 de novembro de 2008

Enlouquecendo...

Hoje foi diferente, acordei com um peso gigante na dona consciência e o mais estranho é que não havia culpados. Não conseguia me lembrar o que carregava de tão pesado pra me fazer sentir assim. A verdade é que eu estava cansada demais pra carregar tal fardo, cansada demais de me sentir cansada demais, cansada de me culpar pela tal consciência que eu sempre fingi ter. Entre mil desculpas que já pedi em toda vida, acredito que se três foram sinceras já foi o bastante. Acho que nunca pedi desculpa pra tudo, e aquela onda de "sempre me desculpar" é pura invenção da minha consciência idiota.
- Não acreditem nela!
Sem radicalismo dessa vez. Podem acreditar nela às vezes, se quiserem, mas já vou adiantando que nem eu mesma acredito fielmente nessa senhorinha. Ela é safada. Sempre tenta me fazer sentir culpada, como se eu tivesse cometido os sete pecados capitais e renegado os dez mandamentos simplesmente por abrir os olhos. É incrível. E não adianta eu tentar me safar não, ela é abusada, me persegue até o inferno se for preciso, só pra dizer "Eu disse que você iria parar aqui". Atrevida!
Às vezes ela até tem razão, raramente, quase nunca. Parece que ela só some quando eu bebo, quando estou acompanhada pelos copos ela sempre arruma um jeito de dar uma escapadinha, é sempre assim. Sempre. E o pior é que ela sempre volta, volta me cobrando os detalhes da noite passada e cuspindo tudo na minha cara de uma vez só. Já pensei em passar o dia todo bebendo pra que ela não voltasse jamais, mas me tornar uma alcoólatra aos 18 anos por culpa de uma consciência pesadinha não é o que eu chamo de uma solução brilhante.
Acredito que o grande problema dela é a minha falta de atenção, porque eu sempre finjo não ligar pra nada, sempre me engano tentando enganá-la. A louca vive a apertar a mesma tecla, às vezes ela aperta tão forte que chega a machucar o coração. E eu não aceito, acho injusto, injusto demais pra uma consciência que se diz politicamente correta. Devia se meter com as próprias feridas e deixar a minha em paz. Isso seria o correto. O correto, realmente, seria me libertar desses devaneios múltiplos. Mas como ela sempre diz, é "pro meu bem", não é mesmo?
É, além de impertinente, a danada ainda é craque em dar desculpas. E sempre foi assim, sempre os mesmos jogos, as mesmas perguntas e o mesmo dedo na minha ferida.
Estou começando a achar que deve ser engraçado me ver sangrar, acho que o vermelho combina com a minha pele branca. O sofrimento deve combinar com a minha face também e talvez ela pense que na dor eu serei mais forte. Eu sou, eu acho.
Tento acreditar que meus atos são atos e só. Me convenço disso. Até a tal dona da verdade vomitar os pensamentos sórdidos e sombrios em cima de mim. Vomita sem pudor algum, joga na cara toda a fragilidade que eu guardo há tempos. Escondo há tempos.
Ela é má e grita alto até conseguir minha atenção, eu faço parte do seu jogo preferido: perguntas e respostas. Ela pergunta e eu prontamente sou obrigada a responder, mesmo sem saber o que estou fazendo, e quando chega a minha vez ela simplesmente ri, ri por ter me feito de boba novamente. Por me tomar sem precisar dar nada em troca, por mostrar que pode me controlar sempre que quiser.
- Não pode!
Venho tentando me convencer disso pra que um dia ela acredite em mim. Acredite e pare de me maltratar e fazer essas incisões rotineiras em minha alma.
Ela brinca comigo, eu sei, mas quando não há riso não há divertimento, e eu não to vendo ninguém rindo por aqui. Tenho que aprender a lidar com uma consciência oportunista e uma mente mentirosa, elas estão juntas nesse duelo de gigantes.
Minha consciência não presta. Sempre me encosta na parede e faz vir à tona todos os quase acertos do passado. Quase acerto porque eu errei querendo acertar, ou ela acha que as pessoas erram propositalmente? Ela não entende as pessoas.
E eu estou cansada, cansada e gripada, cansada e triste e fadigada por saber que amanhã será mais um dia daqueles. Mais um dia pesado, cansativo, rotineiro e frustrante.
Ela vai acordar pesada de novo, eu sei, e dessa vez vai me culpar por escrever demais.
- Desculpa!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Minha verdade

Helena tinha as mãos frias e vazias de carinho, cabelo vermelho fogo na esperança de esquentar alguma coisa por ali. Dona de olhos sinceros, grandes e pretos, cor que fazia jus a sua alma quase morta. Helena nunca amou. Minha doce e intocável Helena, pudera eu entender tal tristeza em seu olhar, quisera eu resgatar-te e guardar-te pra mim. Sonhos de uma noite de outono, nós dois sentados na varanda, revendo fotos de momentos tão nossos que nunca nos pertenceram, riamos de um jeito impróprio quase por desespero. Havia desespero ali. Havia carinho e medo também. Helena nunca amou, e eu tentei mostrar a ela todos os atalhos para o meu coração; fiz trilhas, indiquei com placas e mesmo assim ela se perdeu de mim. Gritei seu nome, fiz juras eternas na esperança de trazê-la aqui, na esperança de fazê-la minha. Ela era minha, ou foi. E eu fui egoísta ao querer esconde-la do mundo, ao imaginar que ela pudesse ser só minha e de mais ninguém. Errei. Acho que de fato nunca amei Helena. Sou Helena. Helena nunca amou.

- Faço nosso o meu segredo mais sincero

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Do amor e suas facetas

Pieguice, apelidinhos melosos, palavras bonitas e 'eu te amo' sempre despertaram meu lado humorista. Carinho em excesso também me provoca grandes risadas (tenho certeza que você está pensando "ô menininha sem sentimentos), e antes que alguém pense (haha), eu tenho sentimentos sim, também tenho um coração vermelhinho que bombeia meu querido liquido de gosto ruim, e acima de tudo, tenho uma coisa que eu, particularmente, acho indispensável: praticidade.
Acredito que a praticidade ainda vai dominar o mundo, começando por mim, é claro. Estou completamente dominada. Sou prática, por tanto facilito as coisas.
Cá entre nós, sentimentalismo em excesso é um saco. Você está lá, 'ficando' com uma pessoa e essa ao invés de te beijar começa a dizer mil frases cheia de pura paixão. Ta, frases bonitas são legais às vezes, nos meus textos por exemplo são super legais (an? haha), mas tem hora que elas são completamente dispensáveis.
Acho que por isso existe aquela expressão 'cala a boca e me beija', to começando a achar que tem muita gente que é obrigada a usá-la.
Agora o que realmente me faz rir (litros) são cartas/depoimentos/bilhetes de namorados que sempre são basicamente iguais. O que me leva a conclusão: Namorados não são criativos!
O cara passa o dia todo pensando, praticamente se matando pra rabiscar algumas palavras e no fim do dia é isso: "você é tudo pra mim” (mentira!), “Você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida” (claro, até uma próxima coisa acontecer: D)," Sem você eu não existo “(haha, essa é mais falsa de todas).
Ah, fala sério! Se o cara passasse esse dia (perdido) ao lado daquela que diz amar tanto, seria mais sincero e bem mais real.
Palavras são só palavras e só. Você não se apaixona pelo o que a pessoa te diz e sim pelo o que ela te faz sentir. Atos. Quer provar que ama alguém? Demonstre! E de preferência de boca fechada.
Carinho. Quem não gosta?
Até eu gosto. Sinceramente, carinho demais me deixa inquieta, me incomoda (ahan, eu deixo vocês pensarem que eu sou fresca). Quem aqui já não riu de um casal de namorados se mimando na rua?
Piores são aqueles que se tratam como crianças, é "bebê" pra cá, "nenê" pra lá, um "Gugu dada" do caralho. No namoro os apelidos normalmente são toscos (falomesmo), eu rio (oceanos) quando ouço alguém dizer "Minha Pitchuca", "Vida”, "Docinho de coco". Não agüento não, choro de rir mesmo, às vezes choro de desgosto também, mas deixa pra lá.
Dos "eu te amo" da vida nem preciso comentar, né?
Eu te amo hoje em dia virou vírgula. "Oi (euteamo) como vai?"
Você foi até a padaria essa manhã, o padeiro deu aquele descontinho no seu pão de cada dia, e então? Você começa a AMAR O PADEIRO, obvio.
Eita povo desonesto. É normal distribuir "eu te amo" por aí sem pensar no peso do mesmo, nas conseqüências. Imagina quantos corações a gente teria economizado se falássemos menos?!
E é por isso e muito mais que eu me divirto horrores com isso tudo, se eu não rir eu começo a achar deprimente e cá entre nós, realmente é deprimente. (Y)
O esquema é deixarmos o "eu te amo" de lado e usarmos mais o "eu te odeio", pelo menos no ódio nos somos sinceros. (grande vantagem, não?)
"palavras são flechas envenenadas, podem ferir ou até matar"
Desculpa por soltar minhas flechinhas aqui, elas não são venenosas (eu acho), mas ainda assim são flechinhas.
A verdade é que eu acho tudo isso tosco mesmo. Prontofalei.
Minhas desculpas nem foram sinceras. Fato!
Ta aí mais uma coisa que eu não gosto: desculpa.
Depois que inventaram essa palavra todo mundo ficou sem vergonha, apronta mundos e fundos e depois pedem desculpa com a maior cara lavada.
Vou te matar e pedir desculpa depois, ok?
Hahahahaha
Parei. Acho que to sendo radical demais.
Bom, se alguém perguntar, não fui eu quem escreveu esse texto, afinal estou solteira e ainda tenho esperança de arrumar um namorado. Se aparecer alguém e este me chamar de "pitchuca”, desconsidere meus apelos e mostre imediatamente este texto a ele.
Antes só do que ao lado do Bozo né? Hahaha


Beijos, queridos.
Amo vocês. (haha)

domingo, 23 de novembro de 2008

Quando eu morrer

Quando eu morrer quero ser o centro das atenções da minha festa de despedida. Vou estar belíssima num vestidinho preto, batom vermelho nos lábios, cabelos soltos e rodeada de rosas irritando minha pele branca, dessa vez realmente branca como um cadáver.
Ao fundo a musica Love In The Afternoon do Legião Urbana, na voz da Gabi, é claro. E todos vão chorar ao ouvir "É tão estranho, os bons morrem antes, me lembro de você e de tanta gente que se foi cedo demais". Cedo demais mesmo. Cedo demais sempre. Posso ter 300 anos que sempre vou achar cedo demais pra ir embora. Eu gosto tanto disso tudo aqui.
Eu não tenho medo da morte e acredito fielmente no Cazuza que diz que "morrer não dói", mas sinto medo da minha ausência, sabe?
Não consigo imaginar como seriam as coisas por aqui se eu, de um dia para o outro, desaparecesse. Desaparecer. É simples assim. Agora você existe e daqui algumas horas você pode simplesmente sumir, pra sempre. E o pior é que você não escolhe, não escolhe e não entende.
Quando eu morrer não quero ninguém chorando. Sei que é difícil dizer adeus, e que despedidas são duras, cruéis e dolorosas. Mas e os momentos bons?
Eu não me resumo nesse dia em que vou partir pra sempre. Eu vivi. E muitos que estarão velando meu corpo foram felizes ao meu lado, pelo menos alguns instantes.
Era quase impossível não rir de todas as minhas bobeiras, palavras inventadas, gírias. Até aquele meu jeitinho meio puxado de falar provocava gargalhadas. O truque da piscada. Minha voz de gralha. Os ensaios da banda. As brincadeiras. A promessa de ser criança sempre.
Momentos inesquecíveis que ficarão mesmo com a ida do meu corpo. É só um corpo. Meu espírito ainda vai puxar muitos pés por aí (haha) e eu prometo voltar todas as noites pra ver se ta tudo bem.
A vida segue seu rumo e morrer é inevitável.
Quando eu morrer quero ver a galera enchendo a cara de vodka e se enchendo de Marlboro, assim o nosso reencontro será mais rápido. (haha²).
Consolem a Helena, diga que a mamãe a ama e que ela precisa pintar o cabelo, preto é careta demais.
Diga aos meus pais que eu agradeço por tudo e que peço perdão pelas minhas falhas como filha.
Deixe aos meus amigos os meus mais sinceros votos de felicidade, diga que a vida ao lado deles foi mágica e peça pra que não doem meu coração. Quem vai quere um coração apaixonado? Ninguém.
Quando eu morrer não quero choradeira não.
Eu não me importo que penteiem meu cabelo, nem que me encham de flores.
Mas pra que tanta lagrima?

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Fuga

Era madrugada, uma quarta-feira, outono talvez. Ela estava embaixo das cobertas, escondendo seu rosto como se ali ela deixasse de ser ela, como se por descuido a vida esquecesse aquela existência apenas por estar escondida. A cabeça latejando de tanto pensar, pensava sem querer, por impulso. Um pensamento puxava o outro e a cada segundo ela se afundava mais naquela cama solitária. A ânsia de esquecer só a fazia lembrar e por repetição ela começou a fazer o que mais fizera durante a vida: desculpar-se.
Desculpou-se por sentir, por pensar, por querer e principalmente por ser. Se ela pudesse ela não seria. Não pode, nunca pôde e se desculpou também por não poder.
O choro veio pra quebrar o silêncio do quarto vazio, as lagrimas molharam o travesseiro e ela agradeceu por estar sozinha. Pelo menos não precisaria se explicar, não agora. As mãos já lhe tapavam o rosto e ela voltou a se desculpar pelo drama.
E então Marina revolveu dormir, afinal não tinha desculpa plausível pra perder uma noite de sono.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Sobre mim:

Sempre tento colocar as coisas em seus devidos lugares. Tento escrever algo menos clichê e fútil, sempre. Tento, por vezes, botar aqui minhas palavras que de tão confusas nem parecem minhas, mas ainda assim parecem palavras. Desnecessárias. Talvez tudo seja desnecessário, banal e repulsivo quando se trata de mim. Me, mim, comigo. Queria ser menos egoísta e um dia acreditar nesse amor inacreditável que muitos pintam por aí. Ou pelo menos fingir acreditar. Eu tento, sempre tento, mas sou uma péssima atriz e ao fim do meu ato apenas levo pra casa um coração mais pesado que o meu. Mais pesado que o céu. Mais um pra coleção dessa grande cleptomaníaca de corações. Eu até penso em devolver depois, mas quando se passa do limite torna-se impossível voltar atrás.
Queria parar de brincar com vidas e também me chamar Alice pra seguir algum coelho branco por aí. Queria me assustar menos e sentir mais. Às vezes nunca sinto. Nada. Sempre e nunca. Tento ser o mais humano possível, mas a cada dia que passa me sinto controlada por essa máquina que bombeia meu sangue. Odeio gosto de sangue. É algo parecido com ferro e coração, não que eu já tenha experimentado um, claro que não, na verdade nunca tive um. Mentira. Sempre minto. Verdade. Me confundo sempre e o conforto da dúvida me deixa forte. Muito. Mais. Evito certezas e pessoas pra que elas não me evitem.
Essa é a Camila.
Essa sou eu.
E agora vocês estão livres pra se assustarem e irem embora.
É, eu sou isso mesmo. E nada de mentiras por aqui.


(não sou um ser apaixonante, eu sei)