segunda-feira, 7 de junho de 2010

"Outra vez, eu tive que fugir
Eu tive que correr, pra não me entregar
As loucuras que me levam até você
Me fazem esquecer, que eu não posso chorar"

quinta-feira, 3 de junho de 2010

aconteceu

Venho tentando me enquadrar nesse quadro que me encontro sem saber por que, sem saber se há um por que. Venho tentando me manter forte, manter a cabeça no lugar e não tomar nenhuma decisão precipitada. Mas às vezes é tão difícil. É tudo tão difícil. Sempre que fecho os olhos a mesma coisa aparece em minha mente. A mesma cena, as mesmas atitudes. Me encontro cansada. Cabeça dispersa e coração machucado. Me encontro perdida e já não sei que caminho tomar... Escrever já não alivia, confunde. Crise geral.




domingo, 23 de maio de 2010

Let me get what I want

Eu gosto do tempo. Ou de tempo. Não sei. Mas eu gosto, sim, gosto. Só não sei a intensidade. Se é muito ou muito pouco eu não sei. O que eu tenho certeza é do medo que sinto de sua densidade. Morro de medo dessas coisas rápidas demais que acontecem no momento exato de uma piscada, sem nos dar a mínima chance de ver. Transformam-se e pronto. Ponto. Passam de suposição a acontecido enquanto na boca fica aquele gosto ralo de estranheza. A estranheza é abundante, somente o gosto é ralo. Tão estranhamente ralo que chega a ser uma vertigem. A vertigem do acontecido que ainda seria suposição se eu não tivesse piscado.

Não pude evitar.

Há coisas que não se podem evitar e por vezes não há como alcançá-las e nem o porquê persegui-las. Deixe-as livres: digo. A liberdade é a mais eficaz de todas as prisões.

No mais estou sem tempo, sem animo e sem muitas esperanças. Como as três coisas nunca me foram úteis, estou bem. Não há motivos pra eu carregar esse sorriso no rosto, não é? Há um. O sorriso é meu companheiro. Passou por aqui, nos demos bem e ele ficou. Normalmente é assim: agarro o que me cativa e deixo o restante passar.

Talvez esse tal tempo cure tudo e transforme todo sofrimento em poesia. Sinto uma inveja enorme dele. Queria poder transformar toda aquela acidez numa poesia suave e só minha. Inteiramente minha. Mas eu não sei, as formas não se moldam às minhas mãos. Sempre peco pela vontade e me encontro amarga pelas palavras não ditas e beijos não dados. A vontade de dizer tudo me corrói. Sei que é necessário que ela saiba que desde aquela noite eu não sou a mesma e que agora os beijos jamais serão os mesmos e que os meus serão somente dela e que aquele perfume só me fará encontra-la, mesmo que ela não esteja por perto. Preciso contar que naquele momento os olhos mudaram de cor e brilharam, os filmes perderam nexo e ganharam vida e desde então tudo me parece confuso, mágico e estranhamente doce. Penso em dizer e em seguida beija-la de um jeito tão nosso, mas não demora muito para os meus pensamentos se calarem.

O tempo também cala.

Silencio absoluto.

Tudo bem, não tem pressa. Não temos pressa. Só preciso que decida se quer que eu saia a sua procura ou que eu esqueça seu gosto de vez.

Quem sabe? Talvez o tempo...

Eu gosto do tempo. Ou de tempo. Não sei.

Talvez eu precise de um pouco de tempo. Talvez eu precise mesmo é esquecer o relógio. Perder a hora. Perder a cabeça. Enlouquecer... Me esquecer.. ... Me perder... Te encontrar!

terça-feira, 18 de maio de 2010

...

meu coração veio à boca, e foi então que eu percebi: odeio gosto de coração. ainda mais do meu. ainda mais assim, acelerado, descompassado, fora de forma. eu fico contando as batidas, tentando pegar no sono, morrendo de um cansaço que por pouco não seria meu. se eu fizer silencio posso ouvi-lo bater, meio sem jeito às vezes, mas com aquele ar despretensioso de quem não sabe a que veio. não sabe pra onde vai e no momento... ah, no momento ele está quebrado. e só.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

madrugada

São 02h19min da manhã e dentro de mim explodem fachos de coisas que eu não posso controlar e nem nomear. 02h19min de uma quarta-feira que provavelmente nascerá cinza, mesmo se houver sol e esse sol for amarelo e quente. Os meus olhos se encontram cinza. há muito eu tento os controlar para não deixar meu jogo ser entregue, mas foi tudo em vão. Há muito muitas coisas vêm acontecendo. Há muito eu já nem sei quem sou. Mas hoje, justamente hoje, quase agora, 02h15min provavelmente, eu descobri que o espelho vive a me enganar e que por mais que eu grite com ele meu monólogo eterno jamais passará a ser dialogo.

Os monólogos me perseguem.

Mesmo rodeada de pessoas eu vivo falando sozinha.

Acabei de descobrir que por menos angustiante que seja a minha situação, fumar um cigarro já não alivia. Não consigo consumir metade daquela fumaça que outrora me nutriu. Descobri que eu sempre vou ter muito que falar e, por isso mesmo, vou permanecer calada até o fim. Vou me magoar e continuar dizendo que está tudo bem, que eu não ligo não me importo; e no fundo pode ser que esteja realmente tudo bem, porque ás vezes deixar tudo bem dói um pouquinho, não é?Eu entendo. Até aceito sem reclamar. Quando reclamo me sinto acuada e envergonhada, parece que eu tenho o dom de nunca ter razão.

Mas hoje, não. Hoje eu só quero não pensar em nada e esquecer o que vem me machucando e confundindo. Quero não pensar na dor da ausência e no caos da presença. Eu juro, jamais quis que tudo fosse assim. Talvez eu tenha o dom de me importar com a pessoa errada. Mas eu queria, um pouco que fosse, que se importasse comigo e que entendesse que eu preciso de atenção e carinho e entendimento. Eu tenho mais sentimentos do que demonstro ter; e tenho medo de um dia não saber demonstrar sentimento algum. Eu gosto tanto dos momentos que são nossos. De como segura a minha mão e diz que sou boba e que não devo me preocupar com as pequenas coisas. Gosto das palavras direcionadas a mim. E não me importei quando me disse "me ame se quiser, mas eu não vou amar você”. Não penso em amar ninguém. Não sei amar ninguém.

Mas não gosto de envolvimentos pela metade. É um problema ser extremista.

Mas hoje, não. Hoje eu estou triste, tão triste que não sei como agir diante a tanto descaso. Não, eu não reclamo. Tento aceitar o que é me dado sem exigir nada além do que ela pode me dar. Só me sinto destroçada quando ela exibe tudo o que é capaz de fazer e sentir e não me dá uma migalha sequer disso tudo. Mas eu não digo nada. Não posso, e não quero cobrar nada de alguém que nem sequer é minha por inteiro.

Eu não tenho ninguém. Eu não sou de ninguém.

São 02h41min e os fachos ainda me cortam. Vejo as pessoas que a amam e exibem seus amores concretos e perfeitos enquanto eu nem sei o que amar significa. Contribuo apenas com o meu sentimento ralo, feio e quase inadequado. Um sentimentozinho insignificante, eu sei, e ela se importa com a pequenez. Cobra tudo. Exige atenção e carinho e presença enquanto me dá as costas e me deixa no frio sem se despedir.

Mas hoje, não. Hoje eu só estou triste, e não quero compartilhar da minha tristeza para fazê-la triste também. Quero que ela me faça feliz, que me mostre que estou errada e que ela se importa e que eu sou realmente uma boba. Mas é muito difícil quando se vive num monologo. Eu posso ser triste, feliz ou indiferente que ela vai continuar irredutível e imóvel na sua redoma de vidro. Eu posso gritar e chorar e pedir que me salve... Mas ela sempre terá razão ao dizer que eu não tenho razão alguma. E eu não tenho, por isso permaneço calada. Desanimada. Triste. Desgastada. Parece que está morto o que eu nem vi nascer. Eu tento ressuscitá-lo com a esperança de que ele renasça belo, mas a cada dia a sinto mais distante e a esperança sempre morre por aqui.

Mas hoje, não. Hoje é quarta-feira e eu estou triste. Estou apática e quase morta. Às vezes sinto vontade de chorar e ligar no meio da madrugada e dizer tudo o que eu nunca saberei como dizer. Às vezes tenho vontade de desligar o telefone e sumir, desaparecer, até ela sentir minha falta – se é que sentirá.

Mas hoje, não.

Hoje eu só estou triste e seca por dentro. Meus cabelos estão molhados e minhas roupas têm cheiro de saudade. Aquela certeza de que o dia nasceria cinza já se tornou um fato.

Uma quarta-feira cinza pra mim, para purificar meu corpo do pecado de não saber... Não saber... Não sei.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

"(...)e vou dizendo lento, como quem tem medo de quebrar a rija perfeição das coisas, e vou dizendo leve, então, no teu ouvido duro, na tua alma fria, e vou dizendo louco, e vou dizendo longo sem pausa — gosto muito de você gosto muito de você gosto muito de você."

domingo, 25 de abril de 2010

Da janela da frente

Sempre a vejo lá, linda. Debruçada sobre aquela janela verde, procurando com seus olhos rápidos, e inquietos, qualquer indício de possibilidade. Vasculha a rua toda, desvenda cada corpo que por ela ousa passar. Eu a vejo lá, linda, e visto daqui o lá se torna tão longe e o verde chega a ser ralo devido a distancia. Mas é verde. Um verde bonito e um tanto sujo pelos braços da moça triste. Há dias em que sua tristeza inunda a rua e eu quase choro.

Parece minha aquela solidão...

Uma solidão tão singela e singular que se veste de uma beleza desigual.

A moça linda e triste é completamente desigual.

Quisera eu que aqueles olhos me despissem e me revelassem. Quisera eu me aproximar daquela janela verde que de perto deve ser tão mais verde e tão mais janela. E ela permanece lá, fingindo ser inócua a qualquer coisa, a qualquer custo. Fingindo não saber que o seu olhar entorpece todos que por ali passam e que o seu cheiro acompanha todos os corpos e penetra a memória como algo impossível de esquecer. Totalmente inesquecível.

Enquanto ela passa a vida fingindo... Fingindo que não provoca reação alguma nas pessoas que a cercam e que a janela verde não faz com que os seus olhos melados sejam tão mais mel e tão mais doce e que não faz nada para encantar a enfeitiçar a alma dos que a procuram por toda a parte. Passa a tarde fingindo que eu não sou inteiramente sua. Passa a tarde inteira me olhando sem me ver. Passa a vida fingindo não se importar com os deslizes e acasos decorrentes. E eu passo a vida toda por ela, porque uma única vez ela passou por mim. E foi intenso. Tão intenso que ela não soube voltar pra casa e eu, egoísta que sou, não mostrei o caminho de volta. Tudo para mantê-la aqui, quente, como uma canção que nos remete a momentos bons. Ela é o meu momento bom; a janela verde que fica tão mais verde e mais janela quando me aproximo; seus olhos tão lindos e melados e invasores. Posso ver os beijos flutuando sem alcançá-la, milhões deles vindos de todas as partes. Eu fecho os olhos como se assim ela pudesse ser somente minha e intocável. Mas daqui ela parece estar tão longe e o verde parece ser tão ralo...

Por vezes eu gritei para acordá-la desse transe da solidão, mas ela não ouve, ela finge não me ouvir.

E assim se seguem os dias...

Passo as minhas tardes procurando um modo de torná-la minha, querendo-a como jamais quis alguém, enquanto ela segue fingindo não merecer uma gota sequer desse amor...


há coisas que a gente não pode controlar e, eu, tô descobrindo isso de uma maneira tão doce..

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Carta,

pra você

Queria poder me lembrar dos detalhes. De todos os mínimos detalhes e traços e medos que compõem seu corpo. Queria entendê-lo. Saber, de uma vez, porque seu olhar me despe. O porquê de suas marcas serem definitivas. Me sinto transparente e acuada em sua presença, como se a qualquer momento suas mãos ágeis pudessem me invadir e levar o que nunca ninguém levou.
Tenho medo do bem que você pode me fazer. Medo de parar minha busca ao te encontrar. Medo de parar no tempo sem poder, ou querer, evitar. Sinto tantas coisas, beibe, que jamais poderei contá-las sem que meu jogo fosse entregue, sem derrubar essa minha máscara de garota-segura.
Eu queria que você me entendesse sem que eu precisasse explicar. Queria que você sentisse a minha vontade e que entendesse que o desejo é mutuo e que há, sim, reciprocidade nas nossas pequenas coisas. Queria que você entendesse que esse medo que eu sinto é por você. Não quero te assustar com o que sou, nem te mandar embora ao encarar meu egoísmo e meu sentimento ralo.
A vida toda eu só fiz pensar em mim.
Por isso, agora, me desespero ao perceber que estranhamente tenho pensado em você.
Não quero te machucar - como fiz com muitos. Quero te proteger, cuidar pra que tudo dê certo. Ser cautelosa para que esse sorriso que me ilumina nunca se perca na escuridão.
Eu só quero que você saiba que eu me importo e que me machuco a cada vez que, sem querer, te faço triste. Não sou a pessoa perfeita pra ninguém, eu sei, também jamais procurei a perfeição. Sou totalmente errada e errante. Imatura e pouco explicita. Sou um poço de confusão. E o que me surpreende é que, mesmo assim, vejo sua vontade em se perder em minhas águas.
Fico pensando que talvez você seja a pessoa certa.
Talvez você seja a minha grande chance.
Eu não sei, nós não sabemos...
Mas não quero perder um minuto dessa nova história.
Quero todos os beijos e abraços e palavras que me cabem. Quero te ver sorrir todas as manhãs e dormir sentindo aquele perfume que já é tão seu. Não tenho certezas. Nunca tive e talvez nunca tenha. Mas depois de você os dias têm sido mais calmos. Depois de você as pequenas coisas voltaram para seus lugares de pequenas coisas. E desde então nada tem importância se não colocar um sorriso no seu rosto. Desde então não se faz necessário Julias, Clarices ou Helenas.
Desde então tudo se desfez e só você se faz presente.
Não preciso de musas inspiradoras, beibe.
Não preciso de muita coisa se eu tiver você.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A Seta e o Alvo

Paulinho Moska

Eu falo de amor à vida,
Você de medo da morte.
Eu falo da força do acaso
E você de azar ou sorte.

Eu ando num labirinto
E você numa estrada em linha reta.
Te chamo pra festa,
Mas você só quer atingir sua meta.
Sua meta é a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros.
Eu digo: "Te amo!"
E você só acredita quando eu juro.

Eu lanço minha alma no espaço,
Você pisa os pés na terra.
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era.
E o que era?
Era a seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Eu grito por liberdade,
Você deixa a porta se fechar.
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar.

Eu corro todos os riscos,
Você diz que não tem mais vontade.
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com metade.
É a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa não te espera!

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

Sempre a meta de uma seta no alvo,
Mas o alvo, na certa, não te espera.

Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?

domingo, 11 de abril de 2010

por ora: a liberdade é a mais eficaz de todas as prisões.

terça-feira, 6 de abril de 2010

O Buraco Do Espelho

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí

pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some

a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve

já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora

Arnaldo Antunes

quinta-feira, 1 de abril de 2010

sexta-feira, 2

"Não muito confuso, assim confrontado com sua explícita incapacidade de lidar com. A palavra não vinha. Podia fazer mil coisas a seguir. Mas dentro de qualquer ação, dentes arreganhados, restaria aquela sua profunda incapacidade de lidar com. Um instante antes de bater outra, colocar uma velha Billie Holiday e sentar na máquina para escrever, ainda pensou: gosto tanto de você, baby. Só que os escritores são seres muito cruéis, estão sempre matando a vida à procura de histórias. Você me ama pelo que me mata. E se apunhalo é porque é para você, para você que escrevo — e não entende nada."

Caio F.