terça-feira, 19 de maio de 2009

O meu lado do pêssego

Quebrou.
Como um prato que cai no chão ou um copo que é atirado, com raiva, na parede.
Partiu-se em muitos.
Cacos e cacos de alguma coisa que eu mesma não soube nomear.
Pedaços de amores e sabores e mentiras.
É tudo mentira.
Palavras demais.

Aquele que fala demais não tem nada a dizer.
E o que ama demais? Mente?
E o do exagero?
E o palhaço do circo, cadê?

Me divirto ao me olhar no espelho, ao encarar o rosto que acredita e sente pena; ao olhar a garota que se preocupa e não poupa feridas e fraturas, em si mesma, para deixá-los ilesos.

Otária.

A bola vermelha está no meu nariz agora - o palhaço foi encontrado - e a faca caiu da minha mão.
Ser vilã cansa e ser mocinha cansa ainda mais.
Me olho e não acredito que acreditei.
Não acredito em nada.
Nada. Nunca. Não.

Droga!

Até parece que é fácil.
Até parece que é assim.
Até parece que é... Amor.

Não é!

Não há amor.
Não há vontade.
É só exagero.

Eu sinto, em cada célula desse meu corpo, todo medo e peso do mundo.
Sinto; por nós, por vocês e ainda mais por mim.
Porque mesmo querendo não consigo acreditar no seu passado e sei que aqueles que não morrem continuam a viver independente da nossa vontade.

Eu não acredito em você.
Não acredito no que você diz.
E eu deveria, mas não sinto muito.

Não sinto nada e me culpo por pensar demais.
Me culpo sempre.
Não te culpo, como ela, pois fui eu quem invadiu sua festa e saiu com seus olhos no bolso.

Talvez eu goste de você e queira te poupar do próximo passo;
Talvez eu não queira mastigar seu coração;
Talvez eu mude de idéia.

Talvez te esqueça.
Talvez me esqueça.

Sei lá...



desculpe a falta de nexo

segunda-feira, 18 de maio de 2009

só pra constar (acho)

Sabe aquele livro, velho, que você cansou de ler ou, aquela música que já perdeu a graça?
Aquele seu prato favorito que, de tanto sua mãe preparar, você enjoou; aquela piada antiga e aquele moletom do inverno passado; sabe, não é?
Então, sou eu.

Sou aquela melodia, antiga, com a nota mal tocada.
A partitura que apodrece no fundo daquela gaveta que você não mais abriu.

As lágrimas de um mês atrás.
O jornal de ontem.
Aquela notícia, bacana, da semana passada.
A gíria que não faz sentido.
A carta rasgada; e os pedaços jogados ao vento.

Passado.
Foi isso que você disse, não foi?

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sobretudo

Eu poderia ter ido no lugar dela numa boa, não me importaria e nem me arrependeria depois; mas o tal cara que comanda o mundo, e que nem mora no céu mas todos olham para cima para falar com ele, olhou para mim e disse: — Vai ser contador.
Eu conversei com ele, tentei negociar, mas acho que ele não estava aberto a negociações.
— Que isso, meu homem, vamos conversar — eu disse.
— É simples: eu ou você - respondeu.
— Quê?
E então ele jogou a moeda pro alto
— Cara ou coroa? — perguntou.
— Cara!
— Ganhei de novo; vai para o mundo, Ninguém José.
Eu obedeci e ele riu.
Deve estar feliz agora, ao ver que fui bom o bastante para me foder sozinho e ainda contar a história para vocês.
É desleal.
Ele move as peças, como num jogo de tabuleiro; ele brinca, ele ri, enquanto a gente chora por não entender o tal sentido da vida.
Aí vem alguém e diz "Mas é simples".
Claro que é!
A gente nasce, cresce e morre; quase uma planta, sabe? Deveríamos ser previsíveis como elas, mas os homens são mais descolados, mais abertos, mais instáveis
Ser Humano é um porre!
Mas não é qualquer porre, não, é um porre de 51 no bar nojento da esquina.
Um porre porco, tosco, cafona.
Quase uma trepada ruim; tipo uma gozada instantânea.
É podre.
É pobre.
É pouco.

Já disse que odeio pessoas?

trecho de um quase-livro que eu quase-escrevi ;D

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Esboço de uma teoria

para a dona do blog

Ele poderia te ligar agora e acabar com essa angustia que te arranha de cima a baixo; poderia. Poderia te mandar um email ou, então, ir até você querendo explicar todo esse mal entendido incomum; poderia claro, se ele estivesse ciente.
Porque não basta inventar um amor platônico, se alegrar com suas próprias fantasias e depois culpá-lo pelo balde de frustrações que é jogado em sua cabeça. Não basta sorrir por qualquer indicio de fascinação e depois odiá-lo, por horas, por algo que ele não disse, não fez ou não viu.
Você é a culpada, garota.
Foi você quem passou a vida toda tentando manipular esse coração – de merda – que sempre bateu pela pessoa errada; foi você que decidiu o que vale a pena levar adiante e o que deve ser deixado para trás. Se há alguém culpado aqui é você, por ter visto coisas onde nada há.
Você é a única que tem culpa por se iludir e acreditar que isso poderia ir além.
Foi você quem o beijou e o amou e, quem, por vezes, voltou atrás; foi você quem disse o que não deveria na hora errada e depois culpou a porra da bebida que estava no seu corpo.
Idiota!
Ele não vai te ligar, não vai aparecer ou se explicar por ter destruído esse brinquedo que bate dentro de você.
Ele não vai te procurar, não hoje, porque nesse momento ele tem outra em seus braços que o beija com tanto desejo quanto você; você não é única, nunca foi e jamais será.
As pessoas vêem sentimento, mas você sabe que o que pulsa por debaixo daquela pele não vem do coração; não vem de dentro e nunca é direcionado a você.
Nunca!
Para você ficam as migalhas; beijos vazios, conversas banais, mentiras sinceras e essa tal culpa que, agora, você sabe que te pertence.

♪ ♫ Don't go , and take my love, I won't let you, I'm saying please don't go.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Amor é

Beber, beber, beber.
Encher a cara de vodca e depois voltar para casa sem me lembrar de muitas coisas ou pessoas; se a pessoa for interessante eu lembro, se o beijo for bom eu lembro também. Se me puxarem para um canto e jogarem palavras nos meus ouvidos eu vou me lembrar do puxão; palavras não me servem de nada mesmo.
Beber. Rir. Beber. Rir demais. Beber.
Fazer inúmeras coisas sem sentido algum.
Vodca, vodca, vodca.
Depois voltar para casa, com os amigos, de porre e feliz. Sem precisar me explicar para ninguém (só para mamãe se eu, por um erro de percurso, passar mal e sujar o chão do banheiro).
Beber, beber, beber.
Vodca, beijo, bebida, puxão, beber, rir, feliz...
Até o dia em que eu me cansar.
Até o dia em que eu me suicidar.
Amor é suicídio
Até o dia em que eu achar um namorado bacana – se ele não me achar antes – e me enforcar de vez.

Repito: Amor é suicídio
“foram felizes por vinte anos, até o dia em que se conheceram”
Cara, acho que não nasci pra isso.

domingo, 26 de abril de 2009

É só o inferno (e mais nada)

Você sabe que um dia irão cobrar a alma que você vendeu e, então, dançará, como Helena, em teu próprio funeral.
Pois essa voz que lhe pede pulso firme e pessoas mortas não lhe deixa viver, há muito, e o teu corpo pede paz enquanto tua alma já não tem descanso algum.
Tua mente; essa não lhe cobra nada e você sabe que chorar não vai te fazer bem. A fumaça cobre teu rosto e todas as cores se unem numa só; cinza.
É tudo cinza.
Monstros invadem a tua casa, acabam com tua ceia santa e arrancam cabeças que não param de rolar; riem, cospem, e você ainda brinda a vinda deles, alegremente, numa cegueira tamanha.
Inimigos visitam tua casa.
Amigos lhe apunhalam as costas.
Você culpa o mundo por tudo o que vem te matando aos poucos, culpa as pessoas e os monstros que você mesmo alimentou. Sonha com cabeças rolantes e corpos carbonizados e acorda fingindo ter um sorriso no rosto.
Tuas mãos já não trabalham juntas e algo arde, incessantemente, dentro de você; você diz não entender e jura que quando encontrar o culpado acabará com a vida dele.
Quando encontrar; se um dia encontrar.
Mas não se preocupe, e nem perca corpo, tentando fazer justiça com as próprias mãos.
Ao fim de tudo irão lhe mostrar o carrasco;
Erguerão um espelho em tua fronte.

"Foi tudo em vão, eu sei..."

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Sei não, mas acredito

O teu amor é uma mentira que a minha vaidade quer, e o meu, poesia de cego, você não pode ver. Não pode ver que no meu mundo um troço qualquer morreu, num corte lento e profundo, entre você e eu. O nosso amor a gente inventa prá se distrair, e quando acaba a gente pensa que ele nunca existiu. Te ver não é mais tão bacana quanto a semana passada; você nem arrumou a cama, parece que fugiu de casa; mas ficou tudo fora de lugar, café sem açucar, dança sem par; você podia ao menos me contar uma história romântica...

Cazuza

OBRA DE nãotenhooquefazer ARTE


domingo, 19 de abril de 2009

O Funeral

Ao adentrar aquela igreja e vê-la deitada, estática, em meio a tantas flores, o meu coração veio à boca; senti, por horas, o gosto daquele órgão pulsante tocando minha língua. As lagrimas surgiram involuntariamente e, eu, me encontrei parado ao lado daquele caixão, beijando, desesperadamente, aquela boca já sem vida, fria como nunca fora e roxa como sua cor predileta. As horas passaram e eu não pude sair dali um momento sequer; estava grudado ao chão.
A igreja estava tomada por pessoas e pessoas e mais um bocado delas, enquanto eu me sentia sozinho com a lembrança de dias, ensolarados, em que aquela mão estava quente, como o sol, e que a mesma boca que agora beijo, com avidez, me dizia: - será para sempre. Agora tudo se resume em um corpo numa caixa de madeira; nunca mais verei aqueles olhos verdes e, tampouco, ouvirei sua voz fina reclamar da minha barba, por fazer, que roçava, por pirraça, sua pele branca. Os dias em que dormimos e acordamos juntos se findaram; e não posso me enganar acreditando que ela voltará amanhã ou semana que vem ou, quem sabe, no próximo mês.
Ela não vai voltar; nunca.
Não voltará para ver nosso jardim florescer na primavera; para cuidar da Zan que teve filhotes na semana passada; para dizer que me ama e que tudo ficará bem.
Não.
Agora algumas pessoas me puxam e outras tapam aquele rosto, lindo, que eu só verei em fotos.
Choro.
Me desespero, e tento impedi-los, em vão.
– Vamos ao enterro – alguém diz.
E eu começo a prestar atenção nas vozes que me cercam.
– Ela era tão jovem!
– Que pena, tinha uma vida inteira pela frente...
– Como aconteceu essa tragédia?
Tenho vontade de gritar para que todos se calem e respeitem o silêncio da minha dor. Maurício coloca as mãos em meu ombro e eu sinto que a pior hora está por vir; caminhamos até o cemitério e, lá, em meio aos prantos, deixamos o corpo que me amou por todos esses anos.
Não tenho forças para dizer nada, não tenho nada; não tenho a mim.
Volto para casa como um morto e vejo o nosso retrato envolto por aquela moldura de que ela gostava; eu gostava dela, a amava; tanto. Choro pelos filhos que não tivemos, pela segunda Lua-de-mel, em Veneza, que deixamos para o próximo mês; choro por todas as pessoas que não tiveram o prazer de conhecê-la e, por mim, por tê-la perdido sem ao menos poder me despedir.
Num puro ato de desespero pego as chaves do carro e paro em frente aquele museu de cadáveres, entro no cemitério e deito em cima de sua sepultura; como se assim eu pudesse sentir seu corpo pela ultima vez. As lagrimas fogem dos olhos e as palavras, antes sussurradas, chegam aos meus ouvidos rapidamente e em alto e bom tom; digo tudo o que eu sempre quis dizer e não disse, abro meu coração derramando, ali, todo o meu amor; sinto um calor enorme me invadir, sinto a presença indiscutível de Luíza e sei que se haviam outras almas naquele lugar elas estavam quentes e emocionadas como eu.
Me despedi.
Finalmente me despedi como deveria ter sido e saí de lá com a certeza de que ela me responderia de alguma forma.
Respondeu.
No dia seguinte, mexendo nos pertences daquela que fora minha amada, e amante, por longos, e felizes, anos, encontro um livro antigo e empoeirado; ao folheá-lo me deparo com linhas sublinhadas que diziam claramente: “o verdadeiro amor não precisa ser dito, é necessário senti-lo e só”.
Ao lado a letra engraçada de Luíza ousou um comentário singelo: “Eu sei”.
E desde então eu soube;
E desde então “Sabemos”

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Daniela

A beleza do amor foi se acabando com a entrega do corpo; foi se esvaindo por entre os dedos, pela força daquelas mãos que se juntavam, demasiadamente, para mostrar que um pertencia ao outro.
A magia daquele amor foi embora com as brigas que nunca existiram, com as cenas de ciúme que não aconteceram e com todas as cobranças que, eles, deixaram para mais tarde; o que eles não sabiam é que o ‘mais tarde’ é sempre tarde demais e que amor pede urgência.
Talvez ela soubesse disso ou, então, imaginava saber; os pensamentos gritavam alto demais e ela sentia como ninguém que, uma hora ou outra, o fim chegaria.
Ela sabia e sofria.
Ele sabia e queria.
As coisas aconteceram sozinhas e sem muita vontade ou conversa, só choro e desculpas e um amorzinho que parecia não ir embora jamais; vive dentro dela e talvez viva para sempre, enquanto nele nem chegara a ser amor.
Aquela PAIXÃO que antes era direcionada a ela, agora, passa por vários corpos e bocas que talvez ele nem conheça ou faça questão de conhecer.
Ela diz que ele mudou.
Ele diz para esquecer.
E eu digo que é tempo perdido.
Talvez ela o ame por um longo tempo; talvez um longo tempo dure apenas três minutos.
— Um dia tudo passa – ele disse.
E ela só lamenta por ‘um dia’ demorar tanto a chegar.

ps: é um porre ter que levantar da cama, às 5:13, e deixar o livro do Rubens Paiva de lado só porque esqueci de desligar a merda do estabilizador. --'

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O mal de Maria

Acordou e não viu ninguém ao lado.
Levantou e não se encontrou no espelho.
Prendeu os cabelos e saiu sem olhar para trás.
Deu mil voltas maltratando o asfalto.
Pensou e repensou aquele velho plano.

Sentou.

Viu crianças brincando no parque; sorriu.
Sentiu a brisa tocar o rosto; agradeceu.
As gotas de chuva tocaram sua pele; chorou.
Olhou para o céu e fez promessa; não seria mais a mesma.
Gargalhou ao pensar num futuro, ao sentir vontade e ao ver a mudança brotando dentro dela.

Cansou.

Voltou para a casa chutando o asfalto; perdeu pedaços de vontade pelo caminho.
Pulou o portão e pegou as chaves debaixo do tapete.

Entrou.

Tomou um copo d’água, pegou o livro que contava, sem saber, a sua história e se deitou no sofá; dormiu.
Acordou com as lambidas da pequena Zelda.

Sorriu.
(havia pesar naqueles lábios)

Tomou um banho.
Assistiu TV e foi se deitar pensando no romance da novela das oito.

Sonhou.

Um velho amor voltaria e eles seriam felizes como deveriam ser.

Acordou.

Acordou e não viu ninguém ao lado.
Sonhou – mais uma vez – de olhos abertos, com tudo aquilo que queria ser e não foi.
Levantou e não se encontrou no espelho.

Não saiu.

Não fez nada o dia todo – ou a vida inteira.
— Acho que a mudança vai ficar pra outra hora – diz, fitando o teto, como se Deus estivesse lá em cima se preparando para descer.

...

Enquanto isso, num lugar longe para poder chegar e infinito demais para entender, Deus ri.
— Eu sabia.
Joga a moeda pro alto e decide a sorte do próximo participante desse grande reality show.

Cara ou coroa?

domingo, 5 de abril de 2009

Noite passada

Estranhamente sinto saudade de tudo; saudade morta e passageira.
Aquele sorriso, fácil, foi se embora junto com os cabelos compridos.
Talvez o sorriso tenha ido antes, mas o cabelo seguiu o mesmo rumo te tornando, ainda mais, triste.
É tão estranho acompanhar uma mudança a olhos vistos, a luz do dia.
Mudança infeliz que seus olhos insistem em dizer que foi um querer seu.
Não acredito. Não acredito e não entendo.
O que te esconde?
O que te obriga a se esconder?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Eu não sabia que as palavras pesavam tanto

"— E eu queria que você estivesse comigo e não com aquele outro cara. Eu queria que fosse minha pele que estivesse tocando na sua...
E aí está.
A estupidez em sua forma mais pura.
— Ai, Ed... — Audrey olha pro outro lado. — Ai, Ed...
Balançamos os pés.
Fico olhando pra eles, e olho pro jeans nas pernas da Audrey.
Ficamos lá sentados.
Eu e Audrey.
E a sem-gracice.
Espremida ali, bem entre nós.
— Você é meu melhor amigo, Ed.
— Eu sei.
Essas palavras podem matar um homem.
Não precisa nem de arma.
Nem de balas.
Só das palavras e de uma garota."


Eu sou o mensageiro - Markus Zusak
Minha net tá zicada, volto quando tudo estiver em ordem; amanhã ou no próximo mês.